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De volta ao básico: a estratégia da Hering para crescer

Da redação
4 de setembro de 2026
Marca aposta em camiseta de R$ 49,99, revisão de portfólio e ganho de escala para recuperar consumidores e vendas

A Hering decidiu voltar às origens para tentar recuperar espaço no varejo brasileiro. A marca lançou a Camiseta Brasil, novo produto básico vendido a R$ 49,99, em uma estratégia que combina redução de preços, inovação na produção e revisão do portfólio para voltar a atrair principalmente consumidores das classes B e C.

A mudança acontece em um momento importante para a companhia. Após a divisão do Azzas 2154, anunciada nesta semana, a Hering ficará no grupo comandado por Alexandre Birman, ao lado das operações ligadas à Arezzo&Co.

O desafio é relevante. No primeiro semestre de 2026, a receita bruta da Hering somou R$ 1,061 bilhão, queda de 15,2% em relação ao mesmo período do ano anterior. A marca também enfrentou retração nas vendas para franquias e lojas multimarcas, além de um processo de redução de estoques.

A nova camiseta é a principal aposta para reverter esse cenário. O produto chega ao mercado por um preço cerca de 40% inferior ao da camiseta de entrada vendida anteriormente pela companhia, segundo a empresa.

“O meu objetivo é que a Camiseta Brasil seja o item individual de vestuário mais vendido do país”, afirmou Fernando Porto, diretor executivo de Criação da Hering. Segundo ele, a estratégia é recuperar a associação histórica entre a marca e a camiseta básica, produto que ajudou a construir sua identidade no mercado brasileiro.

Tecnologia para reduzir custos

Apesar do preço menor, a Hering afirma ter elevado a qualidade do produto. O desenvolvimento envolveu mais de 50 profissionais, pesquisas com centenas de consumidores, testes com 40 lotes de malha, 22 alternativas de gola e cerca de 350 simulações de protótipos.

A companhia também desenvolveu um fio específico para a camiseta e afirma ter trabalhado características como respirabilidade, resistência da gola, transparência do tecido e caimento.

Segundo Porto, a redução de preço foi possível principalmente por mudanças de design, processo industrial e escala.

“O preço de venda da Camiseta Brasil é quase 40% mais baixo do que o da nossa camiseta de entrada até o mês passado e o produto é muito melhor. A gente conseguiu desenvolver um item com custo fabril muito especial por inteligência de design e de processo”, afirmou.

Fernando Porto, diretor executivo de Criação (CCO) da Hering (Foto: Divulgação)

Volta ao básico

A estratégia não deve ficar restrita às camisetas. A Hering pretende revisar outras categorias com a mesma lógica de melhorar a relação entre preço e qualidade, ao mesmo tempo em que reduz a variedade excessiva de produtos.

Segmentos como jeans, moletons, roupas de inverno e peças voltadas ao trabalho deverão ganhar mais espaço.

A iniciativa também tenta reconstruir a presença da Hering no atacado e entre lojistas multimarcas. Segundo Porto, a nova estratégia já começou a ampliar a quantidade de estabelecimentos interessados em comprar produtos da marca.

Fundada em 1880, em Blumenau, a Hering foi adquirida pelo Grupo Soma em 2021 por R$ 5,1 bilhões. Posteriormente, passou a integrar o Azzas 2154 após a fusão entre Soma e Arezzo&Co.

Agora, com a reorganização do grupo e a Hering sob o comando de Alexandre Birman, a companhia tenta transformar justamente seu produto mais tradicional em ponto de partida para uma nova fase de crescimento.

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