CEO da Topaz, do Grupo Stefanini, avalia que megaevento pode revelar gargalos
A Copa do Mundo de 2026 promete ser mais do que um espetáculo esportivo. Será também um teste de resistência para a infraestrutura de pagamentos internacionais. O aumento de transações em moeda estrangeira, impulsionado por viagens, hospedagens, ingressos e compras digitais, deve pressionar bancos, fintechs e varejistas da América Latina a oferecer experiências financeiras mais simples, seguras e integradas.
Para Jorge Iglesias, CEO da Topaz, empresa do Grupo Stefanini especializada em tecnologia financeira, o desafio não começa com a Copa. O crescimento do e-commerce global e do turismo já vinha exigindo soluções mais fluidas em etapas como câmbio, liquidação internacional, autenticação e prevenção a fraudes. O megaevento apenas acelera essa demanda e expõe a diferença entre instituições preparadas e aquelas que ainda operam com processos fragmentados.
Consumidores esperam pagar fora de seus países com a mesma facilidade que encontram em seus mercados de origem. Quando o pagamento falha, cobra taxas pouco claras ou exige etapas excessivas, o impacto vai além do operacional e afeta diretamente a relação com o cliente. No Brasil, esse fluxo já começa na compra de passagens, hospedagens e ingressos, passando por câmbio, cartões, carteiras digitais e até soluções globais interoperáveis. Para sustentar esse movimento, instituições precisam avaliar a robustez de sistemas como Pix, SPB, Swift, redes de cartões e motores de autorização.
O ponto central, destaca Iglesias, não é apenas absorver o pico de demanda, mas conectar diferentes sistemas, moedas e regras regulatórias sem transferir complexidade para o usuário final. Dados do Banco Mundial mostram que 75% da população adulta global já utiliza pagamentos digitais, o que reforça a expectativa de conveniência também em transações internacionais.
Na América Latina, o cenário expõe desafios como custos elevados, baixa interoperabilidade e processos manuais. Ao mesmo tempo, abre espaço para acelerar a adoção de pagamentos instantâneos, carteiras digitais interoperáveis, QR Codes, biometria e liquidação em tempo real. Para bancos e varejistas, a oportunidade está em reposicionar o pagamento internacional como parte estratégica da experiência do cliente, e não apenas como uma camada operacional.
O legado mais relevante pode ser a inclusão de pequenos negócios na economia global. Novas formas de pagamento reduzem barreiras e simplificam transações internacionais, permitindo que empresas menos digitalizadas participem de uma dinâmica financeira mais conectada. A Copa de 2026 não cria a demanda por pagamentos internacionais, mas a torna mais evidente. Quem conseguir combinar conveniência, transparência e segurança estará mais preparado para competir em uma economia digital sem fronteiras.
