Farmacêutica já está nas camisas de Palmeiras e Cruzeiro e quer aproveitar os espaços deixados pelas casas de apostas para ampliar marcas de consumo
A proibição das casas de apostas no Brasil abriu uma nova disputa pelos espaços de patrocínio no futebol. A Cimed negocia atualmente com mais de dez clubes diferentes formatos para colocar suas marcas nos uniformes, segundo o CEO da farmacêutica, João Adibe Marques.
A companhia já patrocina Palmeiras e Cruzeiro, além da Seleção Brasileira. O interesse por novos acordos ganhou força depois da medida provisória do governo federal que proibiu a exploração e a publicidade de apostas de quota fixa no país, atingindo uma das principais fontes recentes de receita comercial dos clubes.
“É uma oportunidade de fazer nossas marcas mais conhecidas do grande público. A presença das bets tinha aumentado demais os valores de cota de patrocínio”, afirmou Adibe ao InvestNews.
O impacto potencial é relevante. Em 2025, as receitas dos clubes com patrocínios de casas de apostas cresceram 67% e chegaram a cerca de R$ 1 bilhão, segundo levantamento do economista Cesar Grafietti em parceria com a consultoria Outfield.
Futebol como vitrine para novas marcas
Para a Cimed, porém, o plano não termina na exposição do logotipo nas camisas. A farmacêutica pretende desenvolver produtos licenciados ligados aos clubes, estratégia que já utiliza com a marca Super, que possui desodorantes de Palmeiras e Cruzeiro.
O movimento acompanha uma mudança maior no negócio da companhia. A Cimed vem aumentando a participação de produtos de consumo, como itens de higiene pessoal e beleza, em uma tentativa de reduzir a dependência dos medicamentos.
Hoje, essas categorias representam cerca de 60% da receita, contra 31% em 2021. Entre as marcas que a empresa pretende ampliar está justamente a Super, que atua com produtos de higiene bucal, desodorantes e protetores solares.
A estratégia exige mais gastos com marketing e pode pressionar margens no curto prazo, mas faz parte do plano da Cimed de levar seu faturamento de aproximadamente R$ 5 bilhões para R$ 10 bilhões nos próximos anos. Para a companhia, o futebol passa a funcionar não apenas como mídia, mas como uma porta de entrada para colocar suas marcas de consumo mais perto do torcedor.
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