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Ambev vende quase o mesmo volume, mas lucra mais com Copa e cervejas premium

Da redação
30 de julho de 2026
Portfólio de maior valor, bebidas sem álcool e crescimento do Zé Delivery ajudaram a companhia a elevar o lucro para R$ 3,5 bilhões no segundo trimestre

A Copa do Mundo deu impulso às vendas da Ambev no Brasil, mas o resultado do segundo trimestre mostra uma mudança mais ampla no consumo de cerveja. Com o volume consolidado praticamente estável na comparação reportada, a companhia conseguiu ampliar a receita e a rentabilidade ao vender produtos de maior valor e expandir categorias ligadas ao consumo moderado.

A empresa registrou lucro líquido de R$ 3,47 bilhões entre abril e junho, alta de 24,5% sobre o mesmo período de 2025. A receita líquida chegou a R$ 20,15 bilhões, com crescimento orgânico de 6,1%, enquanto o Ebitda ajustado avançou 8,9% nessa mesma base, para R$ 6,38 bilhões.

Mais do que um aumento generalizado no consumo, os números refletem a combinação entre preços, mix de produtos e desempenho do mercado brasileiro. A receita por hectolitro subiu 4,6%, acima do avanço orgânico de 1,4% no volume total vendido pela companhia.

No Brasil, a operação de cervejas teve um trimestre mais aquecido. O volume cresceu 5%, impulsionado pelo portfólio premium e pela demanda adicional durante a Copa, apesar das condições climáticas menos favoráveis. A receita líquida do segmento avançou 8,9%, e o ebitda ajustado subiu 12,8%.

As marcas premium cresceram em ritmo superior ao das linhas tradicionais. No país, o volume desse portfólio avançou na faixa dos 20%, enquanto as chamadas “escolhas balanceadas”, que incluem bebidas sem álcool, com menos carboidratos ou sem glúten, dobraram de tamanho. Stella Pure Gold duplicou o volume, Michelob Ultra mais que triplicou e as cervejas sem álcool cresceram cerca de 30%.

O movimento acompanha a tentativa da indústria de ocupar ocasiões de consumo antes pouco associadas à cerveja. Produtos sem álcool ou com apelos de bem-estar permitem às fabricantes chegar a consumidores que buscam moderação, praticam atividades físicas ou evitam determinados ingredientes, sem abandonar completamente a categoria.

O Zé Delivery também ajudou a conectar essas tendências à Copa. Nos dias de jogos da Seleção Brasileira, os pedidos mais do que dobraram, em média. No trimestre, as marcas premium representaram cerca de 35% do volume vendido pela plataforma, enquanto as opções balanceadas responderam por aproximadamente 7%. O aplicativo apresentou ainda crescimento de 6% em usuários médios mensais e de 16% no valor movimentado.

A exposição ao torneio, porém, também elevou os gastos. As despesas comerciais e administrativas cresceram 10,7% organicamente, pressionadas pelas campanhas de marketing da Copa e pelo aumento dos custos de distribuição.

Fora do Brasil, o desempenho foi mais irregular, com recuo de volumes na América Latina Sul e no Canadá. A companhia também manteve a previsão de aumento entre 4,5% e 7,5% no custo por hectolitro da operação brasileira de cervejas em 2026, diante das pressões de câmbio e commodities.

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