Autor de livros sobre vendas e conhecedor das aplicações de IA, ele comenta que nenhuma inovação se sustenta se não houver receita
Alfredo Soares é um player instantâneo quando o assunto é vendas. Mas o legado do carioca de 38 anos é muito maior. Empreendedor desde jovem, criou diferentes empresas. Sua expertise em vendas é aplicada na G4 Educação, que fundou ao lado de Bruno Nardon e Tallis Gomes. Além disso, foi responsável direto pela expansão da maior plataforma de e-commerce da América Latina, a VTEX, da qual é sócio. Seus três livros, “Bora Vender”, “Bora Varejo” e “Todos Somos uma Marca” são best-sellers.
O que MR publicou
Para o executivo, vendas não é apenas um setor de uma companhia, mas o que coloca combustível em qualquer negócio. Em sua obra “Bora Vender”, ele mostra que o vendedor é quem abre portas, gera oportunidades e transforma visão em realidade. Hoje, com toda a tecnologia, dados e automação, as vendas são a engrenagem que faz a companhia girar – no fim do dia, nenhuma inovação se sustenta se não houver receita entrando.
Em tempos de grandes projetos de inteligência artificial no varejo, Soares concorda que um bom vendedor é artigo de luxo. “A IA está revolucionando processos, mas vender continua sendo sobre gente. No “Bora Varejo”, reforço que o cliente busca experiências, relacionamento e confiança. Isso a inteligência artificial pode até apoiar, mas nunca substituir. O bom vendedor virou um ativo escasso: ele sabe usar tecnologia como alavanca, mas tem algo que nenhuma máquina entrega – empatia, criatividade e a capacidade de lidar com objeções de forma humana”.
Para Soares, profissionais com raízes em vendas entendem a importância da disciplina, da resiliência e da leitura de pessoas. Inclusive, espera enxergar no médio prazo mais vendedores encarando a profissão com orgulho: que estudem como médicos estudam medicina, como advogados estudam direito.
“Que tenham clareza de que vender não é empurrar produto. É sobre ajudar pessoas a tomar decisões melhores. A médio prazo, eu espero um mercado com vendedores cada vez mais estratégicos, consultivos e conscientes de que eles não são apenas parte da engrenagem: eles são a força que move a máquina”.
