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Z-Deli: um clássico judaico em versão 3.0

Aluizio Falcão Filho
4 de outubro de 2026

Conheço a Z-Deli desde a adolescência e me lembro que a primeira cheesecake que provei foi no endereço da Alameda Lorena, recentemente repaginado e ampliado. Os donos, em sua terceira geração (Dona Rosa, a fundadora, ainda aparece por lá aos 99 anos), modernizaram a casa, mas mantiveram sua essência judaica, com um toque nova-iorquino.

Da cozinha yiddish temos alguns clássicos, como o Lox & Bagel (uma receita popularizada pelas delis de Manhattan), krepalach (massa recheada de pato) e varenikes. Provei dois deles, começando pelo matzo ball de entrada. Trata-se de um bolinho feito com farinha de matsá, ovos e um pouco de schmaltz (a gordura de frango). Essa bola é servida em uma canja de galinha bastante gostosa. O meu prato veio um pouco sem sal. Mas isso se resolveu rapidamente com o saleiro que estava à mesa.

O outro clássico judaico que experimentei foi o farfel caldoso com pato e cogumelos. O farfel é uma massa que parece com a fregola da Sardenha, só que é feita sem ovos. Estava saborosíssimo.

Saindo das opções judaicas, há o cheeseburger, sempre espetacular, os canelones de ricota e o meio frango assado. Há várias opções de acompanhamento, mas experimente as batatas fritas. Estamos falando de uma das melhores de São Paulo. Neste capítulo não-judaico, pedimos também o peixe do dia, um pargo tostado na chapa e depois levado à brasa, com molho de manteiga e limão. Muito bom, especialmente para quem gosta de peixes com sabor forte.

Na hora da sobremesa, escolhemos duas. A nostalgia falou mais alto e, assim, pedimos uma chessecake, quase igual à de Nova York (um pouco mais firme que as feitas em Manhattan – a diferença deve ser por conta dos ingredientes de lá). Os mirtilos estavam perfeitos, assim como a geleia. Ah, a torta vem com um pouco de creme de leite fresco e batido, firme gostoso. A outra sobremesa foi o bolo grego, de laranja e submerso em água de rosas. Vem também com creme de leite.

Pilotando o fogão está o chef Benê Souza, a quem acompanho desde a época em que ele era o responsável pela cozinha do Virado, que ficava no Largo do Arouche. Ele trouxe viço para a Z-Deli, em um projeto idealizado pelos herdeiros de Dona Rosa.

Aprovamos a visita e voltaremos. Desta vez, para provar o kibe cru de atum e o french dip (sanduíche bife ancho cortado fininho, que deve ser mergulhado em um caldo de carnes).

Farfel caldoso de pato e cogumelos

Bolo grego de laranjas imerso em água de rosas

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