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O sofá perfeito é aquele que sobrevive à vida real

Lorena Scavone Giron
28 de junho de 2026
Arquiteta Juliana Faria explica como equilibrar estética, conforto e funcionalidade na escolha da peça mais disputada da casa

Escolher um sofá pode parecer uma decisão puramente estética, mas basta alguns dias de uso para perceber que beleza, sozinha, não sustenta uma sala. O móvel precisa funcionar na rotina: acomodar a família, receber amigos, servir de apoio para maratonas de séries, momentos de descanso e, em muitos casos, disputar espaço com crianças e pets.

Para a arquiteta Juliana Faria, a escolha do sofá ideal começa antes da visita à loja. É preciso entender o uso do ambiente, a circulação, a proporção do espaço e o estilo de vida dos moradores. Em salas de estar, livings, salas de TV e varandas integradas, a peça ocupa posição central não apenas no projeto visual, mas também na dinâmica da casa.

“Na análise dessas características, tenho preferência por incorporar o equilíbrio entre peças confortáveis e esteticamente agradáveis. Considero sempre o pressuposto de que a beleza importa, mas não a ponto de deixar de lado a comodidade e a ergonomia”, afirma Juliana.

Segundo a arquiteta, aspectos como altura do encosto, largura dos braços, profundidade do assento, tipo de base, densidade da espuma e revestimento devem ser avaliados de acordo com a função do ambiente. Em outras palavras: o sofá bonito da vitrine pode até seduzir, mas quem manda mesmo é a rotina.

Cada ambiente pede um tipo de sofá

A ideia de um modelo universal para todos os espaços, segundo Juliana, não funciona na prática. Uma sala de TV, por exemplo, pede um sofá mais profundo e confortável, capaz de acomodar quem pretende passar mais tempo sentado, deitado ou com as pernas esticadas.

“Imaginando que uma pessoa passa um tempo relativamente grande no sofá para assistir seus programas favoritos, a ocasião pede a oportunidade de se deitar, esticar as pernas ou mesmo sentar-se com comodidade para a coluna. Em hipótese alguma o móvel pode ser responsável por desconfortos ou dores físicas”, diz.

Já em salas de estar voltadas para receber visitas, a prioridade pode ser outra: assentos mais firmes, desenho mais elegante e proporções que favoreçam a conversa e a circulação. Como muitos imóveis não contam com ambientes separados para estar e TV, a solução costuma ser buscar um modelo híbrido, que una conforto, funcionalidade e boa presença estética.

Em plantas integradas, o desafio aumenta. Sofás com encostos muito altos podem criar barreiras visuais e comprometer a sensação de amplitude. Nesses casos, modelos mais baixos, ilhas ou versões sem braços podem ajudar a manter a fluidez entre os ambientes.

Proporção, braço e base fazem diferença

Entre os pontos técnicos que merecem atenção está a largura dos braços. Para Juliana, braços mais enxutos ajudam a aproveitar melhor a área de assento e favorecem a circulação. Medidas entre 15 e 20 centímetros costumam funcionar bem. Já braços muito largos, próximos de 30 centímetros, podem deixar o móvel visualmente pesado.

A base também interfere na leitura do espaço. Sofás elevados do piso, por exemplo, tendem a transmitir mais leveza, já que permitem enxergar a continuidade do ambiente. “Os sofás soltos no chão entregam uma sensação maior de fluidez. Você consegue perceber a continuidade no ambiente e isso contribui para uma leitura mais leve”, explica a arquiteta.

O formato deve acompanhar a circulação. Quando o sofá fica no centro do ambiente ou recebe passagem ao redor, versões sem braços podem deixar a composição mais desafogada. Modelos envolventes, com linhas orgânicas e desenho mais acolhedor, também aparecem como alternativa para criar espaços de convivência mais convidativos.

Sofá claro pode, sim, conviver com crianças e pets

Famílias com crianças pequenas ou animais de estimação costumam fugir dos sofás claros, mas Juliana afirma que a cor não precisa ser descartada automaticamente. O segredo está na escolha do tecido.

Segundo ela, a tecnologia têxtil avançou e hoje oferece materiais mais resistentes a líquidos, manchas, riscos de caneta e fios puxados por unhas de cães e gatos. Tons de bege e cinza aparecem como opções intermediárias para quem busca leveza visual sem abrir mão da praticidade.

Ainda assim, a durabilidade do sofá depende dos cuidados do dia a dia. A arquiteta recomenda aspirar o móvel semanalmente, limpar manchas assim que surgirem, fazer higienização profissional periódica, usar mantas quando necessário e evitar a exposição direta ao sol, que pode causar desbotamento.

Mais do que uma peça de decoração, o sofá é um retrato da forma como a casa é vivida. Por isso, a escolha mais acertada não é necessariamente a mais bonita, mas aquela que consegue unir conforto, proporção, resistência e identidade. Afinal, de nada adianta um sofá impecável na foto se ele falha justamente na hora mais importante: quando alguém se joga nele no fim do dia.

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