Projetos da CASACOR apostam em autonomia, natureza, memória afetiva e móveis que acompanham diferentes fases da infância
O quarto infantil está deixando de ser um cenário montado apenas para os primeiros anos da criança. Nos ambientes apresentados pela CASACOR 2026 em São Paulo, Rio de Janeiro e Ribeirão Preto, aparece com força uma ideia mais prática: criar espaços capazes de mudar com o tempo, estimular autonomia e ainda preservar personalidade.
Na Semana da Criança, cinco projetos ajudam a mostrar esse movimento. Em comum, eles evitam o excesso de temas óbvios e trabalham com materiais naturais, referências culturais, mobiliário acessível e áreas destinadas a brincar, ler, estudar e descansar.
Um quarto de bebê que não precisa parecer de bebê
Em O Primeiro Refúgio, na CASACOR Ribeirão Preto, Adriana Fontana parte do xadrez, do verde, da madeira e de elementos de inspiração vintage para criar um ambiente que não fique datado rapidamente.

A escolha de materiais e móveis com linguagem menos infantilizada permite que o quarto acompanhe o crescimento sem exigir uma transformação completa a cada nova fase.
Brinquedos na altura das crianças
A mesma arquiteta assina Ninho de Histórias, brinquedoteca conectada à suíte. Aqui, a autonomia aparece de forma mais direta: livros e brinquedos ficam em nichos baixos, ao alcance das mãos, enquanto lousa, mesa de atividades e pequenas poltronas criam diferentes possibilidades de uso.

Quinas arredondadas, ferragens embutidas e acabamentos resistentes mostram que o desenho infantil também pode partir da forma como a criança realmente ocupa o espaço.
Um ambiente que muda durante a própria mostra
Na CASACOR Rio, Sophia Abraham levou a ideia de transformação um passo adiante. Toda Infância foi projetado para assumir três configurações ao longo da exposição, chamadas Acolher, Descobrir e Criar.
O quarto de 45 m² acompanha a passagem dos cuidados com o bebê para a conquista de autonomia e as atividades criativas. Referências ao modernismo brasileiro e à obra de Tarsila do Amaral aparecem nas cores e formas, enquanto a coleção Feita para Crescer reúne móveis pensados para diferentes idades.
O campo entra no quarto

Já Amanhecer no Campo, de Tássia e Thaisa Pereira, na CASACOR São Paulo, troca o imaginário infantil mais colorido por uma atmosfera de casa de campo.
Madeira escura, fibras naturais, treliças e um mural pintado à mão criam um ambiente mais sereno. O layout também considera quem cuida da criança, distribuindo berço, poltrona, daybed, trocador e armazenamento de maneira funcional.
A Amazônia vira paisagem para brincar
Em Pequena Amazônia, Marta Calasans usa fauna, flora e rios brasileiros como ponto de partida para um quarto dividido entre dormir, estudar e brincar.

Linho, madeira e barro aparecem ao lado de formas orgânicas e de um papel de parede botânico, enquanto pequenos elementos escondidos transformam a exploração do ambiente em brincadeira.

Mais do que reproduzir tendências de decoração, os cinco projetos apontam para uma mudança interessante no desenho dos quartos infantis: menos cenografia fixa e mais espaço para a criança ocupar, descobrir e transformar com o tempo.
