Projetos combinam aromas, texturas, sons e materiais naturais para criar ambientes mais acolhedores, inclusive em varandas e áreas internas
Durante muito tempo, o jardim foi pensado principalmente como elemento decorativo. Agora, o paisagismo começa a explorar também aquilo que não aparece nas fotografias: o perfume das plantas, o movimento das folhas, o som da água e as diferentes texturas encontradas pelo caminho.
É essa combinação que define o jardim sensorial, espaço planejado para estimular visão, audição, tato e olfato — e, em alguns projetos, até o paladar. Mais do que reunir espécies bonitas, a proposta é criar uma experiência capaz de convidar à pausa e tornar a relação com a natureza mais presente no cotidiano.


O conceito pode aparecer em residências, condomínios, hotéis, escolas, hospitais, escritórios e espaços de bem-estar. Segundo os paisagistas Cleber e Arthur Depieri, do escritório Depieri Paisagismo, o ponto de partida está na escolha cuidadosa das plantas e dos materiais.
Folhas macias, rugosas ou aveludadas ajudam a estimular o tato, enquanto espécies aromáticas acrescentam novas camadas ao ambiente. Flores, folhagens de diferentes tons e plantas que se movimentam com o vento cuidam da parte visual.
A experiência sonora pode surgir naturalmente, com o balanço das copas, o contato entre as folhas ou a presença de fontes e pequenas cascatas. Pedras, seixos, cascas de árvores e madeira completam o projeto e reforçam a sensação de proximidade com a natureza.


“Um jardim sensorial bem executado deve reunir elementos que favoreçam uma experiência multissensorial”, explicam os profissionais.
Apesar do nome, esse tipo de jardim não precisa ocupar uma área extensa. Varandas, corredores iluminados e até cantos internos podem receber vasos, jardins verticais e espécies escolhidas para estimular mais de um sentido ao mesmo tempo.
Em espaços menores, plantas aromáticas costumam ter papel importante, assim como vasos posicionados em diferentes alturas e folhagens que possam ser tocadas com facilidade. A escolha, no entanto, deve considerar as condições reais do ambiente, como luminosidade, ventilação, umidade e tempo disponível para manutenção.

Antes de selecionar as espécies, os paisagistas recomendam definir qual sensação o espaço deve transmitir. Um jardim voltado ao relaxamento, por exemplo, pode privilegiar o som da água e aromas mais suaves. Já uma área de convivência pode apostar em cores, texturas e plantas comestíveis.
Irrigação e drenagem também precisam ser planejadas desde o início. Sem esses cuidados, até um projeto visualmente bonito pode se tornar difícil de manter.

Foto: Divulgação
A segurança é outro ponto importante, especialmente em casas com crianças e animais. Nesses casos, a orientação é evitar plantas tóxicas, espinhos e materiais com superfícies cortantes. Podas regulares, adubação e reposição de espécies aromáticas ajudam a preservar a proposta ao longo do tempo.
Mais do que seguir uma tendência, o jardim sensorial amplia a função do paisagismo. O verde continua sendo parte da composição, mas deixa de ser apenas cenário para participar de forma mais direta da experiência de quem vive o espaço.
