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Mocotó: nordestino e caprichado, agora na Zona Sul

Aluizio Falcão Filho
11 de outubro de 2026

O Mocotó, em sua matriz na Zona Norte, apresenta filas enormes no final de semana. Na filial da Vila Clementino, vizinho à Vila Mariana, não é diferente. As pessoas começam a se amontoar na porta do local às 11 e meia da manhã, para um lugar assim que as portas se abrirem ao meio-dia. O menu, idealizado pelo chef Rodrigo Oliveira, é de inspiração nordestina e bem caprichado. Difícil escolher entre tantas opções apetitosas.

Começamos com uma porção de queijo de coalho e outra de torresmos. As duas são muito boas. Além delas, uma outra dupla de opções vale à pena: os dadinhos (foi o chef Rodrigo que popularizou essa entradinha em São Paulo) e os chips, ambos de mandioca.

Como prato principal, o baião de dois é sempre uma pedida certeira, assim como a costelinha desossada e recheada com pernil (acompanhada por uma fabulosa mandioca cozida na manteiga de garrafa). Confesso que não gosto muito de mistura entre pratos salgados e frutas. Mas neste caso, a costelinha (imagem) tem a companhia de pedaços de abacaxi tostado. Os dois combinam muito bem.

As sobremesas são uma surpresa. Pedimos uma torta basca de chocolate e uma porção de sorvete de doce de leite. Os dois muito bons, embora a torta (uma espécie de cheesecake de chocolate, com um creme anglaise de pequi e laranja) tenha sido superior. Ela vem com direito a nibs de cacau, para dar uma crocância.

Encerramos tudo com um digestivo brasileiro – uma cachaça envelhecida com baunilha, casca de laranja e semente de amburana. Espetacular.

Não espere um lugar sofisticado ou atendimento primoroso (os garçons, porém, são corretos e simpáticos) Chama a atenção, contudo, que um lugar com tanta criatividade nas panelas tenha optado por uma decoração tão sem alma e despojada. Nada contra a simplicidade, mas uma cozinha tão autoral merecia um visual à altura.

A direção da casa precisa tomar cuidado com alguns detalhes, como o serviço de manobrista, que deixa a desejar e não está à altura de uma experiência gastronômica tão rica e intensa.

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