Quarta colaboração entre as marcas explora desconstrução, volumes exagerados e estética inacabada em coleção que chega às lojas em 29 de outubro
Óculos que escondem o rosto de quem observa, mas ampliam o campo de visão de quem usa. É a partir desse contraste que Maison Margiela e Gentle Monster apresentam a quarta coleção de uma parceria que, desde 2023, vem transformando eyewear em território de experimentação.
A nova linha coloca a desconstrução no centro da criação. Formatos conhecidos parecem comprimidos, desmontados ou interrompidos no meio do processo de fabricação, enquanto algumas armações crescem a ponto de funcionar quase como máscaras.
Ao todo, são 43 versões distribuídas por 25 armações, segundo informações divulgadas pelo nss magazine, entre modelos mais essenciais e desenhos de proporções maximalistas.
No site internacional da Gentle Monster, os preços atualmente aparecem na faixa de aproximadamente US$ 400 a US$ 500, dependendo do modelo.
Quando o óculos passa a esconder, não apenas mostrar
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Há uma inversão interessante na proposta.
Óculos tradicionalmente ajudam a construir uma identidade visual, enquadrando os olhos e funcionando como uma espécie de assinatura do rosto. Nesta coleção, algumas peças fazem quase o contrário: cobrem, distorcem e criam uma barreira entre quem usa e quem observa.
A ideia encontra terreno natural nas duas marcas. A Gentle Monster construiu parte de sua identidade com armações de impacto e lojas tratadas quase como instalações artísticas. Já a Maison Margiela trabalha há décadas com anonimato, ocultação e desconstrução da aparência.
A assinatura da parceria continua discreta. Em vez de grandes logotipos, quatro pontos brancos aparecem nas hastes, referência direta às costuras que identificam peças da maison francesa.
Alguns formatos familiares, como armações ovais e cat-eye, também aparecem revestidos em couro, aproximando o acessório da ideia de uma “segunda pele”.
Uma parceria que já criou linguagem própria
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A repetição talvez seja justamente o que tornou a colaboração reconhecível.
Na terceira coleção, lançada em 2025, Margiela e Gentle Monster haviam explorado uma estética mais futurista, com metal, referências cybercore e hastes que lembravam cabos.
Agora, em vez de seguir apenas pelo futurismo, as marcas trabalham com imperfeição e processo. A aparência de algo que ainda está sendo montado ou desmontado passa a fazer parte do desenho final.
Mais do que buscar uma surpresa completamente nova a cada edição, a parceria parece construir um vocabulário próprio: volumes pouco convencionais, ausência de logos evidentes, quatro pontos brancos e peças que tratam os óculos menos como acessório funcional e mais como objeto visual.
A campanha também desconstrói a realidade
A coleção chega acompanhada por um curta-metragem dirigido pela artista e fotógrafa Alex Prager.
No filme, a protagonista atravessa um mundo em constante transformação, cercada por personagens distintos que apresentam as diferentes silhuetas da coleção. A desconstrução aparece não como um fim, mas como ponto de partida para novas possibilidades.
A experiência também sai das imagens e chega às lojas.
Para marcar a quarta colaboração, oito cidades recebem pop-ups especiais: Seul, Tóquio, Xangai, Pequim, Bangkok, Kuala Lumpur, Melbourne e Paris. Os espaços traduzem a estética da coleção em formas irregulares, materiais contrastantes e estruturas deliberadamente imperfeitas.
Em Seul, cidade natal da Gentle Monster, o lançamento ganha ainda uma performance criada pelo coreógrafo Damien Jalet e pelo artista Ian McMahon, conectando corpo, espaço, objetos e luz em torno da mesma ideia de transformação.
A coleção Maison Margiela x Gentle Monster chega ao mercado em 29 de outubro. Na quarta parceria entre as marcas, porém, o mais interessante talvez não seja apenas qual armação chamar mais atenção na rua, mas a inversão proposta por elas: usar um acessório normalmente associado a revelar estilo para, desta vez, esconder parte de quem o veste.
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