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Leila: uma mineirice francesa no mundo gastronômico

Aluizio Falcão Filho
22 de agosto de 2026

A empresária Tânia Bulhões tem duas fábricas onde produz suas criações: uma em Uberaba, em Minas Gerais, e outra em Limoges, na França. São duas culturas diferentes, mas que se unem na paixão pelos detalhes e pela gastronomia. Tânia resolveu fundir esses dois universos na culinária e, desde 2024, apresenta um menu autoral que chamou de franco-mineiro no restaurante Leila (localizado em sua loja da rua Colômbia).

Fazia tempo que não visitava o lugar, mas fui motivado por uma resenha da jornalista Patrícia Ferraz, no jornal “O Estado de S. Paulo”. O menu desfila opções brasileiríssimas, como o picadinho de filé, costelinha de porco e a galinhada. Os dois primeiros ganham uma couve crua como acompanhamento, o que pode provocar estranheza por parte de algumas pessoas. Mas o temperinho de limão tira qualquer hesitação. A farofa do picadinho é torradinha, com leve gosto de manteiga e com micropedacinhos de bacon.

A galinhada (imagem), no entanto, é a grande estrela desse cardápio que se propõe a releituras surpreendentes da cozinha mineira. Esse prato, por exemplo, é feito com arroz arbóreo, mas nem de longe parece ou tem a consistência de um risoto. Com um caldo demi-glace delicioso e com quiabos assados por cima, essa galinhada é um primor.

Outro ponto alto é o pão de queijo frito, oferecido como uma entrada. Crocante por fora e cremoso por dentro, com um queijo da canastra derretendo. A porção de pãezinhos vem com dois molhos: um aoli e uma goiabada líquida e ligeiramente picante. Delicioso.

No capítulo francês, temos boas entradinhas: um foie gras bastante bom e um steak tartare de respeito. Entre os pratos principais, destaque para o filé ao poivre muito bem executado, com fritas sequinhas como acompanhamento.

Nas sobremesas, há um pudim de leite com baunilha lisinho, sem nenhum furinho. O resultado é absolutamente surpreendente quando ficamos sabendo que esse pudim é diet e não leva açúcar. O outro destaque é uma espécie de fusão das culturas francesa e mineira: trata-se de um crème brulée de goiabada cascão, coberta por um creme de mascarpone e uma tuille de queijo da canastra que parece um biju (aquele que comíamos na rua quando crianças) mais grosso. Um Romeu e Julieta maçaricado com açúcar.

Além do indefectível expresso, há também o café coado, passado na hora. A cor parece a de um chá translúcido e chegou a me desanimar. Mas o sabor surpreendeu, forte e com um quê de caramelo. Melhor que o expresso. Além disso, vem acompanhado com um dos melhores brigadeiros que já provei na vida.

A casa agora serve um chá da tarde, que pode ser degustado nas charmosas mesinhas ao ar livre – aliás, uma ótima pedida para o almoço de fim de semana. Aviso aos interessados: os pratos são ótimos, mas o ritmo é lento. Esse, porém, é o charme da casa. Vale a visita.

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