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Japan House reúne tradição e design em mostra gratuita de cerâmica japonesa

Lorena Scavone Giron
2 de outubro de 2026
Exposição na Avenida Paulista percorre séculos de produção e apresenta peças dos seis principais polos ceramistas do Japão

A Japan House São Paulo recebe, a partir de 6 de outubro, a exposição gratuita “Cerâmica em Curso”, dedicada à história, às técnicas e à permanência da tradição ceramista japonesa. A mostra reúne 19 peças e percorre desde exemplares produzidos há milhares de anos até criações contemporâneas decorativas e utilitárias.

O percurso começa com obras dos períodos Jōmon, iniciado por volta de 14 mil a.C., e Muromachi, entre os séculos 14 e 16, apresentando diferentes momentos da evolução da cerâmica no Japão.

Além de obras artísticas, a mostra reúne peças utilitárias de cerâmica, como tigelas de arroz e copos de saquê (Gabriela Ono/Divulgação Japan House São Paulo)

Uma das peças mais antigas foi moldada à mão e decorada por meio da pressão de cordas sobre a argila ainda úmida, técnica que deixava marcas na superfície antes da queima em fogueiras ao ar livre.

Já o exemplar do Período Muromachi mostra o avanço das técnicas de produção. Com aparência mais rústica, a peça apresenta marcas provocadas pelo fogo e uma superfície irregular, resultado do uso de fornos construídos em terrenos inclinados, que favoreciam a circulação das chamas e do calor.


Os seis fornos antigos
As peças da exposição estão organizadas em seis núcleos, que apresentam diferentes técnicas de modelagem e queima (Gabriela Ono/Divulgação Japan House São Paulo)

A exposição também dedica espaço aos chamados “seis fornos antigos” do Japão: Bizen, Echizen, Seto, Shigaraki, Tamba e Tokoname.

As regiões, consolidadas ao longo dos séculos como importantes polos de produção, foram reunidas sob essa denominação na década de 1950 pelo pesquisador japonês Koyama Fujio.

Além de peças históricas, o público poderá conhecer trabalhos atuais produzidos nesses seis territórios, mostrando como técnicas, matérias-primas e processos tradicionais continuam presentes na produção contemporânea.

A mostra apresenta ainda amostras das argilas utilizadas em cada região. As diferenças na composição do solo influenciam diretamente aspectos como cor, textura e brilho das peças.

“Shizuku Zen/2000” (“Uma Gota Zen 2000”), obra de 200 quilos do artista Masamichi Yoshikawa, de Tokoname, é um dos destaques da mostra (Gabriela Ono/Divulgação Japan House São Paulo)

Em Echizen, por exemplo, a presença elevada de ferro na argila favorece tonalidades avermelhadas e terrosas. É o caso da escultura “O Avançar da Ferrugem”, de 2008, produzida com queima em forno a lenha.

Já Seto, na província de Aichi, é conhecida por uma argila com menor presença de ferro, característica que possibilita a produção de peças com tonalidades mais claras, próximas do branco.

Ao combinar objetos históricos e obras recentes, “Cerâmica em Curso” mostra como uma tradição construída ao longo de séculos permanece viva não apenas como patrimônio cultural, mas também no design e nos objetos do cotidiano japonês.

“O Avançar da Ferrugem” (2008), de Toyokazu Yoshida, explora uma fenda e tons escuros e avermelhados que remetem à corrosão e à passagem do tempo (Gabriela Ono/Divulgação Japan House São Paulo)

Serviço

Cerâmica em Curso
Japan House São Paulo
Avenida Paulista, 52, Bela Vista
De 6 de outubro de 2026 a 30 de maio de 2027
Terça a sexta-feira, das 10h às 18h
Sábados, domingos e feriados, das 10h às 19h
Entrada gratuita

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