O Freddy é um dos clássicos da cidade e foi fundado nos anos 1930 (provavelmente em 1932) na rua Conselheiro Crispiniano, no centro. De lá, foi para Santana e depois para o Itaim. Primeiro, na Praça Dom Gastão Liberal Pinto, uma espécie de antessala para quem entra na rua Joaquim Floriano. Depois, na rua Pedroso Alvarenga, onde está até hoje.
Conheci o Freddy ainda em seu primeiro endereço do Itaim: uma salinha pequena, com lambris na parede, que parecia estar fincada no Quartier Latin. Nessa época, o fundador, Alfred Aurières, ainda almoçava por lá, quando o estabelecimento já era tocado por seus sobrinhos. Lá pelas 15:00 de domingo, ele costumava empunhar o acordeão e tocar um repertório baseado no cancioneiro francês. Era aplaudido várias vezes durante sua performance.
Lembro muito deste Freddy que ficava na pracinha do Itaim. Aos finais de semana, via-se uma multidão aguardando na calçada uma mesa para o almoço. Na segunda metade da década de 1980, porém, o restaurante foi expandido e dobrou de tamanho, com um bar que acolhia os clientes que aguardavam a vez de deliciar com os pratos gauleses.
O menu, nesses quase cem anos de vida, mudou pouco. Todas as receitas antigas da gastronomia francesa estão lá, como o filé (corte chateaubriand) ao molho béarnaise (imagem) e o confit de canard, acompanhado de feijão branco.
Mas o cardápio traz algumas pérolas difíceis de encontrar até nos bistrôs parisienses, como a Quenelle de Poissons (um meio-termo entre uma mousse e um gnocchi de peixes). Há pratos consagrados, como o Cassoulet, camarão à provençal e o blanquette de veau. No entanto, o fã raiz da cozinha francesa geralmente escolhe receitas como rins de vitelo ou língua ao molho de madeira.
Entusiastas da culinária brasileira vão se fartar na rabada com agrião ou no camarão à grega. Com tantas opções, o Freddy se dá ao luxo de fazer o melhor strogonoff da cidade – e esse prato não está no menu. Basta pedi-lo ao mâitre.
Guarde um bom espaço para uma sobremesa imperdível: a Marjolaine. Como definir essa maravilha? Não é uma mousse, não é um sorvete e não é um bolo. Mas parece uma mistura destes três doces, com camadas nos sabores amêndoas, creme e chocolate. Vem com uma calda quente de chocolate. Peça e seja feliz.
O serviço é um pouco lento. Mas vale muito a pena.

A maravilhosa Marjolaine
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