Conectividade transforma barcos em escritórios flutuantes e já influencia projetos de novas embarcações
O home office ganhou uma versão em alto-mar. Com a expansão da internet via satélite, empresários e executivos passaram a conciliar períodos de lazer a bordo com reuniões, gestão de equipes e outras atividades profissionais. O movimento, conhecido no mercado náutico como “working from yacht” ou “boat office”, começa também a mudar a configuração das embarcações, que incorporam conectividade e espaços preparados para permanências mais longas.
A mudança acompanha a consolidação do trabalho flexível entre lideranças empresariais. Levantamento do International Workplace Group (IWG), realizado com mais de 500 CEOs, mostrou que 93% adotaram pessoalmente modelos flexíveis de trabalho, enquanto apenas 7% permanecem cinco dias por semana no escritório central. A conectividade por satélite ampliou as possibilidades desse modelo ao permitir que parte da rotina corporativa seja mantida até durante uma navegação.
“A conectividade ampliou os diferentes usos do barco. Para um empresário ou executivo, estar a bordo não significa mais necessariamente se afastar da empresa. Hoje é possível participar de reuniões, acompanhar operações, fechar negócios e até receber clientes durante uma navegação”, afirma Barbara Martendal, diretora de negócios da Fibrafort. Segundo ela, conexão, pontos de carregamento e espaços de apoio passaram a ganhar importância na decisão dos consumidores ao lado dos tradicionais ambientes de lazer.
A própria indústria náutica começa a incorporar essa demanda aos projetos. A Fibrafort, fabricante brasileira com cerca de 19 mil barcos entregues e presença em 57 países, lançou a Focker 355 GTS Explorer, lancha de 35 pés que já sai de fábrica com Starlink instalada. Com 10,52 metros de comprimento e capacidade para até 14 pessoas, o modelo tem espaço gourmet duplo, áreas integradas de convivência e motorização que pode chegar a dois motores de 350 hp.
A novidade será apresentada no São Paulo Boat Show, entre 24 e 29 de setembro, no São Paulo Expo. Mais do que um equipamento adicional, a internet embarcada sinaliza uma transformação no mercado de luxo: para uma parcela dos consumidores, o barco deixa de ser exclusivamente um espaço de desconexão e passa também a funcionar como extensão do escritório.





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