Projetos da CASACOR Ribeirão Preto 2026 mostram como cor, memória, natureza e acessibilidade estão transformando ambientes antes tratados apenas pela função
Durante muito tempo, banheiros e lavabos foram pensados quase como áreas de apoio da casa. Pequenos, funcionais e, muitas vezes, discretos. Na CASACOR Ribeirão Preto 2026, encerrada no domingo (12), alguns projetos seguiram justamente na direção oposta.
Cores intensas, curvas, referências à natureza, objetos afetivos e soluções de acessibilidade transformaram esses espaços em ambientes com identidade própria. Mesmo em poucos metros quadrados, o banheiro passou a concentrar algumas das experimentações mais livres da arquitetura de interiores.
A natureza entra pelas cores e pelas curvas
Em Âmago Corten, de Marian Jammal, as paisagens brasileiras aparecem menos como reprodução literal e mais como ponto de partida para cores, materiais e formas.
Tons de argila, areia e minerais se combinam a superfícies de aparência natural e iluminação indireta. As curvas conduzem o desenho do ambiente e ajudam a quebrar a rigidez normalmente associada a espaços funcionais.
O resultado reforça uma tendência que aparece também em outros cômodos da casa: usar materiais e iluminação para criar uma sensação de refúgio, mesmo em áreas de passagem ou permanência curta.
Um banheiro infantil sem prazo de validade
O Primeiro Refúgio, de Adriana Fontana, parte de outro desafio: criar um ambiente para a infância sem deixá-lo preso à estética típica de um quarto de bebê.
Integrado à suíte, o banheiro acompanha a combinação de xadrez, verdes, madeira e referências vintage presente no restante do projeto, mas ganha uma leitura mais colorida e lúdica.
“É um espaço que não se limita ao rótulo de quarto de bebê. A ideia é que conte uma história e possa crescer com a criança, sem se prender a um repertório infantil óbvio”, explica Adriana.
A escolha acompanha uma mudança interessante no desenho dos quartos infantis: em vez de reformar completamente o espaço a cada fase, cresce a busca por bases capazes de amadurecer junto com a criança.
Acessibilidade também pode fazer parte da estética
Em Lembranças que Habitam, criado por estudantes de Design de Interiores do Senac Ribeirão Preto, a acessibilidade não aparece como uma camada técnica acrescentada posteriormente ao projeto.
Hall e banheiro acessível foram concebidos a partir de memórias de infância, objetos herdados e da ideia de pertencimento. Cores, estampas e texturas se acumulam em uma linguagem maximalista, acompanhada por iluminação mais intimista e peças de caráter afetivo.
O projeto mostra que atender necessidades específicas de circulação e uso não exige abrir mão de personalidade. Pelo contrário: inclusão, funcionalidade e estética podem ser pensadas desde o início como partes da mesma proposta.
Poucos metros, mais liberdade
Talvez seja justamente o tamanho reduzido que torne banheiros e lavabos terrenos tão férteis para experimentar. Materiais que poderiam parecer excessivos em uma sala inteira, cores mais intensas ou revestimentos marcantes encontram nesses ambientes uma escala mais controlada.
Os projetos apresentados em Ribeirão Preto mostram também que o banheiro deixou de ser desenhado apenas a partir daquilo que precisa conter. Passou a importar igualmente como ele faz o morador ou visitante se sentir.
E, nessa nova lógica, até um dos menores espaços da casa pode carregar algumas de suas escolhas mais pessoais.
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