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Mãe de fiscal preso por corrupção ficou bilionária em 2 anos

Da redação
12 de agosto de 2025
Na declaração de IR de 2021, Kimio Mizukami da Silva informou possuir R$ 411 mil. No ano seguinte, o valor informado à Receita foi R$ 46 milhões. Em 2023, a declaração foi de R$ 2 bilhões

A mãe do fiscal Artur Gomes da Silva Neto, preso na Operação Ícaro nesta terça-feira (12), teve uma evolução patrimonial de aproximadamente 5 mil vezes em apenas dois anos, segundo apurou o Ministério Público de São Paulo (MP-SP). As investigações apontam que a professora de 73 anos atuava como laranja do filho, por meio da empresa Smart Tax Consultoria e Auditoria Tributária. Na declaração de imposto de renda de 2021, Kimio Mizukami da Silva disse possuir R$ 411 mil. No ano seguinte, o valor informado à Receita foi R$ 46 milhões. Em 2023, a declaração foi de R$ 2 bilhões.

Para os promotores do Gedec, grupo do MP-SP que combate lavagem de dinheiro, as informações, obtidas por meio de quebra de sigilo, constatam uma evolução patrimonial acentuada. “Em sua Declaração do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (DIRF), verifica-se que o aumento patrimonial teria decorrido, em grande parte, da compra de criptomoedas. Estas, por sua vez, teriam sido adquiridas por meio de valores advindos da distribuição de lucros da empresa Smart Tax”.

Entre um ano e outro, Kimio guardou R$ 6 milhões em espécie. Na declaração de imposto de renda, os representantes do MP-SP constaram que o aumento patrimonial teria decorrido da compra de criptomoedas. Os promotores acreditam que Silva Neto atuava para outras empresas além da Ultrafarma. Ele ocupava cargo de chefia na Fazenda estadual paulista como supervisor da Diretoria de Fiscalização (Difis).

A Operação Ícaro também prendeu preventivamente o dono da Ultrafarma, Sidney Oliveira, e Mario Otávio Gomes, executivo da Fast Shop. O fiscal manipulava processos administrativos para facilitar a quitação de créditos tributários às empresas. Em contrapartida, recebia pagamentos mensais de propina por meio de uma empresa registrada em nome de sua mãe. O fiscal teria recebido mais de R$ 1 bilhão em propinas de diversas empresas. Os investigados poderão responder pelos crimes de corrupção ativa e passiva, organização criminosa e lavagem de dinheiro. As diligências seguem em andamento.

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