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16 pontos em aberto sobre a fuga de Mossoró

Rodrigo Dias
15 de fevereiro de 2024
Quem monitorava as câmeras? Houve ajuda externa? Quem revistava as celas? Há sensores nas paredes? Quem os visitava? Como passaram pelas cercas? Líderes serão transferidos?

A penitenciária federal de Mossoró (RN), a cerca de 280 quilômetros de Natal, foi inaugurada em julho de 2009 e tem capacidade para abrigar até 208 detentos de alta periculosidade. Foi de lá que dois condenados fugiram na madrugada desta quarta-feira (14), em uma ação cinematográfica a partir do interior de uma prisão que deveria ser intransponível. Resta muito a ser desvendado e devidamente explicado pelas autoridades, que ensaiam movimentos aparentemente pouco efetivos para descobrir como se deu a primeira fuga de um presídio federal brasileiro.

Diante da possibilidade plausível de colaboração de agentes e falhas graves na segurança, o Ministro da Justiça Ricardo Lewandowski nomeou o ex-diretor da Penitenciária Federal de Catanduvas (PR), Carlos Luis Vieira Pires, interventor da unidade de Mossoró. Ele terá que descobrir e explicar como se deu a fuga histórica de Deibson Cabral Nascimento, conhecido como Tatu e Deisinho, e Rogério da Silva Mendonça, integrantes subalternos do Comando Vermelho. Fora das celas individuais, eles venceram oito barreiras e foram captados pelas câmeras sem que nada acontecesse.

As cadeias do sistema federal têm projeto que segue o padrão das Supermax estadunidenses, que abrigam terroristas e líderes de cartéis mexicanos. As celas são individuais, com 6 metros quadrados dentro das quais os presos permanecem por 22 horas. Os internos têm direito a banho de sol de duas horas e só. Há pouco contato com o mundo exterior e até com os colegas de pena. Mesmo assim, Deisinho e Tatu conseguiram se apoderar de ferramentas e saíram das celas por volta das 3h30, sumindo do lado de fora justo quando obras de reforço de segurança estavam em andamento.

Para que os presídios federais brasileiros possam voltar a conter com eficácia os criminosos mais violentos e perigosos, uma série de pontos precisam ser explicados. :

  • Como os detentos conseguiram ferramentas para a fuga?
  • Por que ninguém percebeu que ferramentas foram surrupiadas?
  • As celas não foram revistadas?
  • Quem monitorava as obras na unidade prisional fazia contagem de equipamento?
  • Os operários que cuidavam da obra de reforço da segurança foram investigados previamente?
  • Como os responsáveis pelas câmeras de monitoramento nada viram? Eles estão sob investigação?
  • Há sensores de vibração no prédio para detectar tentativas de abertura de buracos nas paredes, pisos e tetos?
  • Como a movimentação não foi percebida?
  • Se as celas são individuais, como dois fugiram? Dois buracos foram abertos?
  • Como os detentos violaram os portões e cercas?
  • Havia ajuda do lado de fora?
  • Quem os visitou nos últimos tempos?
  • Quanto tempo eles demoraram para romper as celas?
  • Como integrantes menos graduados do Comando Vermelho, como Deisinho e Tatu, conseguiram tal façanha?
  • Líderes de facções presos em Mossoró serão transferidos?
  • Detido em Mossoró, Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, está envolvido?

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