O contraste entre o Ibovespa e o índice SMLL da B3 revela uma dicotomia na economia brasileira, avalia Eric Hatisuka, estrategista do Mirabaud Brasil, braço local do banco suíço que atua como family office e asset.
Enquanto o Ibovespa atingiu em abril de 2026 sua máxima histórica de 198.657 pontos, impulsionado por commodities e bancos, o SMLL permanece estagnado em torno de 2.300 pontos, distante da máxima de 2021.
Segundo carta mensal assinada pelo estrategista, o desempenho desigual mostra que a alta recente da bolsa foi circunstancial e não refletiu a realidade das empresas menores.
O Ibovespa se beneficiou de fatores externos, como a valorização do petróleo na esteira da Guerra do Irã, e o impacto dos juros altos sobre bancos. Já o SMLL, formado por companhias ligadas ao comércio e serviços, sofre ainda com o chamado “custo-Brasil”: carga tributária elevada, mão de obra cara e pouco produtiva, além de juros que encarecem o crédito.
Entre 2016 e 2021, destaca Eric Hatisuka na carta, reformas como a trabalhista e a previdenciária favoreceram as small caps, permitindo expansão e ganhos de produtividade.
Mas desde 2022, com políticas que ampliaram o tamanho do Estado e elevaram impostos, o cenário se inverteu. O setor público passou a ser o motor do PIB, enquanto empresas do “Brasil real” perderam fôlego.
Para o especialista do Mirabaud Brasil, a disparidade entre os índices é um alerta. A euforia com o recorde do Ibovespa não deve ser confundida com prosperidade generalizada. As small caps seguem sufocadas, afirma Hatisuka no documento, sem espaço para crescer em um ambiente hostil à economia doméstica.

