Presidente da entidade de infraestrutura citou que em 2024 os investimentos públicos somaram R$ 25,2 bilhões, enquanto parlamentares direcionaram R$ 44 bi
Em entrevista edição de julho da revista Conjuntura Econômica, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), o presidente da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), Venilton Tadini, comentou sobre a contínua necessidade de investimentos em obras para ampliação da malha logística e o estrangulamento provocado pelo direcionamento às emendas parlamentares, ações localizadas que nada possuem de estruturante, mas que em 2025 vai absorver R$ 50 bilhões que poderiam ser melhor aproveitados em programas melhor articulados.
Abaixo, alguns dos pontos principais
Novo PAC x emendas
“O PAC enfrenta duas grandes adversidades. A primeira, de que os recursos para os projetos têm que ter contrapartida do governo federal, e temos nossa questão fiscal. Por outro lado, temos um orçamento em emendas parlamentares na casa dos R$ 50 bilhões este ano (em 2024, de acordo a levantamento da Abdib, os investimentos públicos em transporte e logística somaram R$ 25,2 bilhões; o orçamento em emendas parlamentares foi de R$ 44 bilhões)”
“À medida que você não tem os recursos e redireciona isso em discussões orçamentárias, colocando R$ 50 bilhões para serem distribuídos em emenda parlamentar, aí de fato não tem como se ter um programa de desenvolvimento articulado“
Leilões
“Com os leilões que temos previstos para os próximos dois anos, estaremos com mais de 30% da malha federal pavimentada transferida para iniciativa privada“
Ferrovias
“[…] não adianta se contentar com o crescimento da participação relativa da ferrovia, pois se trata de um processo dinâmico de realimentação. Na hora em que crescer o ferroviário, principalmente para carga geral, impactará a demanda nos portos e será preciso rodovias de qualidade para fazer a alimentação desse modal“
“[…] o ferroviário demanda uma entrada maior do setor público, pois são investimentos grandes que implicam um fluxo de caixa negativo durante um grande período“
Projetos ainda não contratados em tempos contração
“Recebemos a notícia ruim da Medida Provisória 1303/2025, que prevê a retirada dos incentivos em títulos que financiam a infraestrutura. O que é chocante, porque iniciativas como a criação da Letra de Crédito do Desenvolvimento (LCD) tiveram o apoio do próprio governo, e que somente em sua primeira emissão, no final do ano passado, captou mais de R$ 9 bilhões. É um contrassenso“
