Economia global deve crescer 2,9%; Brasil tem projeção elevada para 2% e conflitos seguem pesando sobre inflação e energia
A economia mundial deve crescer 2,9% em 2026, segundo novas projeções da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). A estimativa foi elevada em 0,1 ponto percentual, apesar das pressões provocadas pela guerra no Oriente Médio, pelo aumento dos preços da energia e pela perda de poder de compra das famílias.
O resultado ainda representa desaceleração em relação aos 3,4% registrados em 2025. Para 2027, a organização projeta crescimento de 3%, com expectativa de redução gradual dos preços dos combustíveis e desaceleração da inflação.
Na avaliação da OCDE, a atividade econômica tem mostrado maior resistência do que o esperado graças a medidas de apoio dos governos, aumento da oferta de energia fora das economias do Golfo, uso de fontes alternativas e retiradas de reservas de petróleo.
Outro fator destacado é o volume de investimentos ligados à inteligência artificial, que segue sustentando parte da atividade econômica mundial.
Guerra mantém cenário incerto
Apesar da revisão positiva, a OCDE afirma que o cenário permanece cercado por incertezas.
A principal delas é a guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, iniciada no fim de fevereiro e que afetou o fornecimento de petróleo e gás, principalmente após o bloqueio do Estreito de Ormuz pelo Irã.
A alta dos preços de energia tem impacto direto sobre a inflação e sobre o consumo, reduzindo a renda disponível das famílias e pressionando custos de empresas.
O petróleo voltou a ser negociado abaixo de US$ 100 por barril nesta semana, em meio à expectativa de avanços diplomáticos durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York.
EUA crescem mais; China perde ritmo
A OCDE também revisou para cima suas projeções para os Estados Unidos. A expectativa agora é de crescimento de 2,2% em 2026 e 2,1% em 2027.
Para a China, o movimento é inverso. A economia deve crescer 4,5% neste ano e desacelerar para 4,2% em 2027.
Na zona do euro, a projeção para 2026 subiu para 1%, puxada principalmente pela Alemanha, que deve avançar 1,1%. Já a previsão para a França foi reduzida para 0,4%.
Brasil tem projeção elevada para 2%
Entre as principais economias da América Latina, Brasil e México aparecem em situação mais favorável.
A OCDE elevou em 0,4 ponto percentual a estimativa de crescimento do Brasil em 2026, para 2%. Para 2027, a projeção ficou em 1,9%, uma redução de 0,2 ponto.
O México teve uma das maiores revisões positivas da região, com crescimento esperado de 1,5% neste ano, alta de 0,7 ponto em relação à projeção anterior. Para 2027, a expectativa é de avanço de 1,8%.
A Argentina, por outro lado, deve perder ritmo após crescer 4,5% em 2025. A previsão para este ano foi reduzida para 2,6%, enquanto a estimativa para 2027 caiu para 3%.
El Niño pode pressionar alimentos
Além das tensões geopolíticas, a OCDE chama atenção para o impacto de eventos climáticos extremos.
O fenômeno El Niño deve atingir seu ponto máximo no fim de 2026 e pode ter efeitos ao longo de 2027. A combinação de temperaturas mais altas com interrupções no fornecimento de fertilizantes pode aumentar os preços dos alimentos.
Segundo a organização, economias da América Latina, África e Ásia-Pacífico estão entre as mais expostas a possíveis perdas na produção agrícola.
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