A coluna da jornalista Thais Bilenky, no UOL, mostra como o impacto das apostas esportivas pode neutralizar os efeitos da recente reforma do Imposto de Renda. Em 2026, a isenção para quem ganha até R$ 5.000 deve deixar R$ 31 bilhões a mais no bolso das famílias. Mas esse valor é menor do que os R$ 37 bilhões perdidos pelos brasileiros em bets no ano passado, segundo dados oficiais da Fazenda.
O levantamento indica que, em 2025, cerca de 10 milhões de pessoas movimentaram R$ 220,6 bilhões em apostas, dos quais R$ 183 bilhões retornaram em prêmios e bônus. O restante, R$ 37 bilhões, ficou com as casas de apostas como receita bruta. Esse montante supera em 20% o benefício da isenção de IR. E os números não incluem o mercado ilegal, estimado em tamanho semelhante ao legalizado.
A Fazenda aponta que o número de apostadores cresceu ao longo do ano passado, com picos em meses de campeonatos e pagamentos de 13º salário. Para 2026, a expectativa é de aumento ainda maior por conta da Copa do Mundo.
Especialistas alertam que o dinheiro que poderia ser destinado ao consumo das famílias acaba drenado pelas bets. Lauro Gonzalez, da FGV, destaca que há uma intersecção relevante entre beneficiários da isenção e apostadores, o que reduz o efeito positivo da política pública. Ele também relaciona o avanço das apostas ao ciclo de endividamento, em que pessoas se endividam para apostar e apostam para tentar pagar dívidas.
Esse cenário também ajuda a explicar por que indicadores macroeconômicos favoráveis — como desemprego baixo, inflação controlada e aumento real da renda — não se traduzem em maior percepção positiva do governo.
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