Após atravessar ‘maior crise de sua história’ em 2024, Localiza está pronta para crescer com escala e rapidez, diz CEO; BTG mantém recomendação de compra
Carros chineses, salto inesperado nos juros e um negócio dependente da injeção intensiva de capital fizeram com que o biênio de 2023 e 2024 fosse um dos mais difíceis da história da Localiza&Co. A fala é do CEO da companhia, Bruno Lasanky, durante entrevista a um podcast da americana Bain&Company. Passados os desafios, superados pela locadora de veículos automotivos, o BTG Pactual enxerga “uma das companhias mais bem geridas” em sua cobertura de papéis listados na bolsa de valores e reafirmou a recomendação de compra para as ações da Localiza (RENT3).
O banco de investimento se baseia em três pilares que a Localiza mostra frequentemente ao mercado, na visão dos analistas Lucas Marquiori, Fernanda Recchia e Samuel Alkmim: transparência, disciplina na alocação de capital e cultura de governança sólida. Na entrevista, o CEO da Localiza destacou que a permaneceu incólume no período em que os juros saltaram de 2% a 13,75%, entre 2020 e 2023, graças ao caixa acumulado através de resultados que permitiu “enfrentar diferentes cenários” no período mais estressante.
O BTG também destacou que o papel negocia com desconto em relação à média histórica, a 11 vezes o lucro projetado para 2027. Ao banco, o preço-alvo das ações da Localiza de R$ 63,00 representa um retorno potencial de 22,6% sobre o preço de tela de R$ 51,39. Com dividendos, o lucro ao acionista pode ficar na casa de 23%, apontam os analistas.
As ‘garrafas de água’ da Localiza
Foi em 2020, em plena pandemia e nos juros de 2% ao ano, que a Localiza anunciou uma fusão bilionária com a Unidas, locadora rival e que foi convencida a entrar no negócio fundado pelos irmãos Salim e Eugênio Mattar.
A criação de sinergias entre Localiza e Unidas foi um desafio amais que amontoou na tempestade perfeita. Àquela altura, começavam as invasões de carros chineses no Brasil, o que colaborou para uma depreciação na fruta de carros usados da locadora. Como os carros ficam parados em um pátio esperando um novo motorista, custos começaram a pressionar a empresa.
Como ilustração, Lasanky comparou o negócio com uma metáfora de “alguém que compra uma garrafa d’água por US$ 1, vende por US$ 2 e, de repente, vê o custo subir para US$ 4”. A depreciação pesou sobre a ação da Localiza (RENT3), que ainda sofreu com a saída de investidores estrangeiros do Brasil. Como esses investidores detêm a maior parte do free float, ele chamou esse movimento de uma tempestade dentro da tempestade.
Projeções
Na visão do executivo, a Localiza aprendeu mais com a crise do que resolveu “achar um culpado ou ignorar os fatos”. O ápice veio quando a companhia escolheu reconhecer um impacto financeiro de R$ 2 bilhões no balanço em 2024, sendo R$ 1,7 bilhões somente no segundo trimestre, além de reconhecer perante o mercado que a depreciação continuaria elevada por algum tempo.
Nesse momento de crise, Lasanky também apontou que funcionários e clientes não podem ser afetados por cortes de despesas da Localiza. Na verdade, ao priorizar esses dois grupos, diz o executivo, a companhia saiu mais forte da crise do que quando entrou nela.
Por fim, o BTG Pactual estima que o lucro líquido da Localiza ultrapasse neste ano fique em torno de R$ 4,51 bilhões, saindo dos R$ 2,8 bilhões registrados em 2025, ou o equivalente a uma alta de 61%. Já o retorno sobre o capital investido (ROIC) deve subir de 12,9% para 16,6% no mesmo período.
