Para Henrique Galvani, CEO da Arara Seed, novas gerações passaram a enxergar o agro como um ecossistema que combina inovação, sustentabilidade e economia real
O agronegócio brasileiro começa a atrair um novo perfil de investidor: mais jovem, digitalizado e interessado em unir rentabilidade, inovação e impacto ambiental. A mudança acompanha a ampliação das plataformas digitais de investimento e a consolidação da agenda ESG, que passou a influenciar a forma como parte do mercado avalia risco, retorno e impacto.
Nesse cenário, ativos ligados à economia real, à tecnologia climática e à produção de alimentos ganham espaço. Para Henrique Galvani, CEO da Arara Seed, plataforma de investimento coletivo focada em agtechs, foodtechs e climate techs, o agro passou a ser visto por novas gerações como um ecossistema capaz de conectar produtividade, sustentabilidade e inovação.
“Existe uma mudança clara na lógica dos investimentos realizados pelas novas gerações. Identificamos um investidor mais atento à origem do capital e ao impacto gerado por aquele recurso”, afirma Galvani. Segundo ele, o setor ganha espaço justamente por reunir produção de alimentos, tecnologia, sustentabilidade e economia real.
A mudança ocorre em meio ao avanço da cultura de investimentos no país. Dados da B3 mostram que investidores pessoa física movimentaram R$ 517,3 bilhões em ações em 2025, alta de 2,3% em relação ao ano anterior. Quando considerados ETFs, fundos imobiliários, BDRs e outros ativos, o volume negociado chegou a R$ 747,7 bilhões.
O crescimento da participação de mulheres e jovens no mercado financeiro também ajuda a explicar esse movimento. Segundo a B3, o número de mulheres investindo em renda variável cresceu 41% desde 2021, ultrapassando 1,4 milhão de investidoras em 2025. Ao mesmo tempo, plataformas digitais e aportes iniciais menores ampliam o acesso a teses antes mais restritas a grandes investidores.
A preocupação climática também pesa na decisão de alocação. Pesquisa do Unicef em parceria com a Capgemini mostrou que 75% dos jovens brasileiros entre 16 e 24 anos demonstram preocupação com os impactos das mudanças climáticas. Esse comportamento começa a influenciar não apenas hábitos de consumo, mas também escolhas de investimento.
No campo, a transformação também vem de dentro. Cerca de 25% dos trabalhadores rurais têm menos de 30 anos, segundo o Censo Agropecuário, enquanto o ecossistema brasileiro de agtechs já ultrapassa 2,1 mil startups. Para Galvani, o setor deixou de ser percebido apenas como produtor de commodities.
“O agro passa a ser visto também como plataforma de inovação, transformação ambiental e desenvolvimento tecnológico. Isso conversa diretamente com o investidor mais jovem e conectado às pautas de impacto”, afirma.
Com a digitalização, investimentos em biotecnologia, rastreabilidade, agricultura regenerativa e climate tech passam a ganhar mais visibilidade entre pessoas físicas. A tendência, segundo especialistas, é que o agro ocupe um espaço crescente nas carteiras de investidores interessados em teses de longo prazo ligadas à tecnologia, sustentabilidade e economia real.
