ADI Predictstreet tem mais da metade das apostas em predições feitas por carteiras de criptomoeda que compram e vendem entre si, aponta The Wall Street Journal, manipulando os números da plataforma
A ADI Predictstreet ilustrou placas digitais dos patrocinadores da última Copa do Mundo FIFA em todos os jogos da competição. Com um contrato de US$ 150 milhões com a federação mundial de futebol, a plataforma de mercados preditivos tem mais da metade de suas transações feitas pelas mesmas pessoas de sempre e de forma recorrente, o que sugere que seu tráfego de usuários e receita é manipulado. A plataforma é ligada à família real de Abu Dhabi, dos Emirados Árabes.
Dados analisados pelo The Wall Street Journal revelaram que US$ 108 milhões dos US$ 160 milhões apostados na ADI Predictstreet até o final de setembro haviam sido movimentados por uma rede de carteiras de criptomoedas conectadas entre si e à plataforma. O comportamento dos usuários é fazer as transações entre si, mas os recursos são financiados por uma carteira cujo dono coleta a comissão por cada transferência feita. Geralmente, essa conta que arrecada um percentual sobre transações é ligada a um sócio ou diretamente à dona do negócio.
A ADI Predictstreet foi lançada em abril, como parte de um conglomerado de negócios do Sheik Tahnoon bin Zayed. Foi ele quem comprou quase metade da participação na exchange de criptoativos de Donald Trump, World Liberty Financial, em apuros até o socorro de US$ 500 milhões da família real dos Emirados Árabes.
Bin Zayed é conhecido como o ‘sheik espião’ de Abu Dabhi, e o contrato com a FIFA que ele firmou cedia direitos exclusivos de patrocínio durante os jogos da competição esportiva mais assistida do mundo.
O padrão nas transações foi descoberto por três estudantes da universidade de Harvard e verificado por investigadores de carteiras de criptomoedas independentes, contatados pelo WSJ. “Neste caso, o pagamento das taxas das transações é reciclado para dentro das carteiras que jogam no mercado preditivo da plataforma”, disse Rajiv Seth, professor de economia do Bernard College.
Começou durante a Copa
Foi durante a Copa do Mundo que as transações cruzadas começaram na plataforma do sheik espião. Duas carteiras de criptomoedas, uma ligada à outra, movimentaram US$ 81 milhões entre si, apostando em diversos mercados de previsões. Esse volume totalizou 90% de todas as compras e vendas da plataforma em algum ponto. Todas as comissões foram parar na conta de um investidor que não está ligado à ADI Predictstreet.
O volume de transações da plataforma caiu significativamente desde o fim da Copa do Mundo. A concentração de transações foi no sentido oposto. Entre agosto e setembro, 99% dos valor total foi transferido por apenas 795 carteiras.
Antes, 26 mil contas jogavam nos mercados preditivos da ADI Predicstreet. “É como se a atividade do (investidor) de varejo tivesse morrido (na plataforma)”, comenta Andre Guettler, professor de finanças da Universidade de Ulm, na Alemanha.
