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O copo meio cheio e meio vazio da inclusão financeira no Brasil

Lucas Andrade
11 de junho de 2026
Pix acelera digitalização enquanto crédito caro pressiona famílias

A inclusão financeira no Brasil avançou de forma impressionante nos últimos anos. Agora, relatório do BTG Pactual mostra que o desafio é transformar acesso em bem-estar. Segundo o estudo do banco, 96,4% da população adulta já possui conta bancária ou de pagamento, impulsionada principalmente pelo Pix e pela digitalização dos serviços. O uso de canais móveis explodiu: em 2024 foram 273 bilhões de transações via celular, seis vezes mais que em 2020.

O dinheiro perdeu espaço no dia a dia. O Pix já é o meio de pagamento mais utilizado, superando o uso de cédulas, enquanto 72% dos brasileiros recebem seus rendimentos diretamente em conta. Essa mudança de comportamento reforça que a inclusão não é apenas abrir uma conta, e sim migrar para uma rotina financeira digital.

O crédito também se expandiu, alcançando 130 milhões de pessoas, embora de forma concentrada em produtos caros e sem garantia, como empréstimos pessoais e dívidas de cartão de crédito. As taxas continuam elevadas: 430% ao ano no rotativo e 183% nas parcelas do cartão. Mais da metade dos usuários ativos de cartão já carrega dívida com juros, e o comprometimento médio da renda com crédito chegou a 24,7% em 2024.

O relatório do BTG destaca ainda a baixa literacia financeira como um entrave. O Brasil ficou em 21º lugar entre 39 países em pesquisa da OCDE, com desempenho fraco em conceitos básicos como juros compostos e diversificação de risco. Essa limitação ajuda a explicar por que tantos consumidores recorrem a modalidades de crédito caras e complexas.

Apesar dos avanços, a resiliência financeira segue limitada. Apenas 47% dos brasileiros afirmam conseguir manter despesas por três meses sem renda, e quase metade das famílias vê o dinheiro como fonte de estresse. Para o BTG Pactual, o país conseguiu incluir milhões de pessoas no sistema formal, contudo o próximo passo é garantir qualidade de uso, educação financeira e sustentabilidade do endividamento.

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