Banco vê estratégia do Magalu como positiva, mas reconhece que avanço sobre e-commerces de concorrentes é sensível
O Magazine Luiza firmou na última sexta-feira (15) uma parceria com a Shopee para a venda de produtos de seu ecossistema da marca “Kabum!” pelo site do e-commerce asiático. É mais uma das colaborações entre o Malagu, fez o primeiro avanço nesse sentido em 2024, quando fez um acordo com o AliExpress. Somente neste ano, a varejista brasileira acertou parcerias com a Amazon em junho e com o Mercado Livre em setembro. Em relatório, o BTG Pactual destacou que o movimento do Magalu aposta em um marketplace online mais direcionado, em vez de competir com plataformas estrangeiras, enquanto detém o controle da logística, inventário e fullfilment.
Por meio da parceria, o Magalu vai oferecer eletrônicos, aplicações, móveis, eletroeletrônicos e videogames na página de lojas oficiais da Shopee, sessão da loja que atrai 90 milhões de usuários mensais. A expectativa de executivos da varejista é que novos usuários correspondam por 3 a cada 4 acessos vindos do site da concorrente — a colaboração será um dos principais vetores para o crescimento no volume de vendas do marketplace.
A estratégia do Magalu é crescer em audiência no 3P, mas se afastando de um modelo mais generalista de vendas em marketplace e focando mais em audiências segmentadas. O foco da marca é crescer em vendas de itens de tecnologia por meio do KabuM! e de artigos esportivos da Netshoes. São duas marcas que possuem seu próprio site, mas têm grande tráfego por meio da loja virtual do Magalu.
Estratégia ‘sensível’, mas com bom potencial
A companhia de Luiza Trajano disse que deve repaginar o aplicativo do Magazine Luiza até o final do ano. O app recebe 50 milhões de usuários por mês, e o BTG vê uma reforma do ecossistema como um acerto da varejistas para maximizar lucros do marektplace, além de expandir a malha logística com ofertas baseadas em localização.
“Para além da contribuição às vendas do Magalu, as parcerias com Shopee, Amazon e Mercado Livre podem fortalecer o Magalog, porque a marca retém responsabilidade do fulfillment para capturar a volume”, afirma o BTG em relatório. Outro efeito positivo à varejista pode melhorar as operações entre mesmas rotas de entrega, o que levaria o Magalu a otimizar despesas com delivery.
Os executivos esperam um repique de vendas até o final do ano, marcado por datas comemorativas e comerciais, como Natal e Black Friday. Além disso, os resultados de setembro foram positivos para o Magalu com a busca de conquistar fatias de consumidores da Casas Bahia, que fecha lojas e busca reestruturar a o balanço.
O BTG reconhece que a nova parceria vem na esteira de um aumento de 123% nas ações da varejistas na bolsa de valores nos últimos três meses. A tese de investimento na companhia depende de pôr a prova o quanto novas parcerias podem contribuir para a última linha dos resultados. O BTG tem recomendação de compra para as ações do Magalu (MGLU3), com preço-alvo de R$ 12.
