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Moody’s alerta para desafios fiscais do próximo presidente e pressão sobre crédito

Da redação
7 de outubro de 2026
Agência de rating aponta dívida elevada, juros altos e rigidez do Orçamento como obstáculos para o próximo governo

O próximo presidente do Brasil herdará um cenário fiscal mais pressionado, marcado pelo elevado nível de endividamento público, custos altos de financiamento e ausência de uma trajetória clara de estabilização da dívida, segundo relatório da Moody’s divulgado nesta quarta-feira (7). Para a agência de classificação de risco, o resultado da eleição e as políticas adotadas pelo próximo governo terão impacto sobre a confiança dos investidores, o desempenho macroeconômico e as condições de crédito no país.

A Moody’s destaca que mais de 90% do Orçamento federal é composto por despesas obrigatórias ou vinculadas, o que limita o espaço para ajustes e faz com que mudanças relevantes na política fiscal dependam de aprovação do Congresso. No cenário de continuidade do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a agência prevê manutenção, em linhas gerais, do atual arcabouço fiscal, combinada a medidas de aumento de receita, maior eficiência dos gastos e estímulo ao crescimento.

Já sob Flávio Bolsonaro (PL), a expectativa apontada no relatório é de uma agenda voltada a cortes mais significativos de despesas e redução do endividamento, embora os detalhes ainda não estejam definidos e dependam de apoio político no Legislativo.

No setor privado, a agência avalia que empresas com grau de investimento, exportadoras e companhias de infraestrutura reguladas devem continuar tendo acesso aos mercados de capitais. Por outro lado, companhias com elevada exposição a dívidas de juros flutuantes, fluxo de caixa livre negativo e maior dependência de financiamento no mercado estarão mais vulneráveis às condições de crédito.

Os bancos também devem sentir os efeitos do ambiente de juros elevados e crescimento mais fraco, com pressão sobre a qualidade dos ativos e a rentabilidade. A Moody’s ressalta ainda que uma maior expansão dos programas públicos de crédito tende a sustentar a concessão de empréstimos pelos bancos estatais, enquanto uma eventual mudança de governo poderia alterar essa disposição.

Para a agência, as decisões sobre governança, instituições e o papel do Estado na economia serão relevantes para definir as perspectivas de crédito, investimentos e crescimento nos próximos anos.

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