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Investimento em educação quase “zera” Bolsa Família em Tupandi (RS)

Da redação
14 de março de 2022
Após uma década de cursos e apoio à graduação, moradores de cidadezinha gaúcha abandonaraam quase totalmente o programa social

Com a população estimada em 5 mil habitantes, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a gaúcha Tupandi é campeã estatística em “evasão” do Bolsa Família. De acordo com um estudo do Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (IMDS), 95,7% dos beneficiados abandonaram o Cadastro Único. A 86 quilômetros de Porto Alegre, com um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 0,822 (muito alto), rendimento médio mensal per capita de 2,5 salários mínimos (R$ 2.612,50, em valores atualizados) e produto interno bruto (PIB) per capita de de R$ 102.777 em 2019, segundo o IBGE, o município possui pouca desigualdade econômica e baixo número de inscritos no Bolsa Família — cerca de 35 no último ano. Essas característica privilegiadas permitiram acompanhar de perto o desenvolvimento de crianças e jovens atendidos pelo programa.

Como relata o jornal Folha de S. Paulo, há mais de uma década o município tenta ir além da transferência de renda para as famílias, com cursos para os jovens, incentivo ao esporte e apoio à graduação. Fora a frequência na escola exigida no programa federal, os alunos carentes podem escolher entre cursos profissionalizantes de curta e média duração, como o de corte e costura, auxiliar de escritório ou de estética.

Segundo a secretária de Assistência Social de Tupandi, Márcia Warken, uma etapa posterior dos projetos de acompanhamento dos jovens do município é o incentivo à graduação. A prefeitura oferece apoio e um serviço de transporte gratuito até a universidade mais próxima, na cidade vizinha. “Como de retribuição, os estudantes estagiam por três horas semanais em escolas ou centros sociais.”

Dificuldades de beneficiados

Parte da riqueza de Tupandi vem do campo, onde há uma classe média rural proprietária de minifúndios e capaz de terras de vizinhos para fins de avicultura, suinocultura e produção de ovos e leite. A cidade também se tornou um polo da indústria moveleira, o que impactou positivamente na renda e na geração de empregos a partir das últimas décadas. Para o economista Paulo Tafner, do IMDS, as iniciativas dos municípios complementam o ciclo positivo iniciado pelo Bolsa Família. “A importância do programa federal é nítida, mas ele vai até um certo ponto. O acompanhamento das crianças e jovens das famílias é o que pode definir a transição da situação de vulnerabilidade.”

A Região Sul é a que tem a mais alta taxa de saída do CadÚnico de dependentes do Bolsa Família, com 74%, seguida de perto pelo Centro-Oeste (72%). Na outra ponta, está o Nordeste, com 58%. No outro extremo, com as menores taxas de saída, estão Milagres do Maranhão (MA), tem 28% de abandono, antecedido por Limoeiro do Ajuru (PA), com 29%, e Bela Vista do Piauí (PI), 30,7%. Por estarem em estados com mercados de trabalho mais frágeis e índices de educação mais baixos que a média do país, a dificuldade que essas famílias têm em deixar o benefício é maior.

“Muitas vezes, o mercado de trabalho mais estagnado representa um risco tão grande para o futuro das famílias que dependem de programas de transferência de renda, que mesmo com iniciativas locais a melhora na renda dos jovens é difícil”, diz o economista Bruno Ottoni, da IDados.

​Tafner pondera que, apesar das dificuldades, os municípios mais pobres podem tentar reforçar a formação e a inclusão dos “filhos” de programas de transferência de renda, por meio de parcerias com cidades maiores daquela região.

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