Ferramentas ajudam profissionais a testar soluções, reduzir tarefas operacionais e explorar alternativas de projeto em meio à busca por moradias mais acessíveis
A inteligência artificial vem ganhando espaço no trabalho de arquitetos justamente em um momento em que a crise habitacional voltou ao centro do debate internacional.
Em 2026, o Dia Mundial da Arquitetura adotou como tema “Housing is a Human Right. Build It.”, ou “Moradia é um direito humano. Construa-a.”, em sintonia com a pauta do Dia Mundial do Habitat da ONU. A discussão reforça a necessidade de ampliar o acesso a moradias adequadas, sustentáveis e adaptadas a diferentes contextos.
Ao mesmo tempo, novas ferramentas digitais passaram a integrar etapas cada vez mais relevantes do processo de criação arquitetônica. A IA vem sendo usada principalmente para visualização, apresentação de projetos e teste de diferentes soluções antes da execução.
Para Alexandre Kuhn, cofundador da plataforma Redraw, esse tipo de tecnologia pode reduzir o tempo gasto em tarefas operacionais e abrir espaço para mais experimentação durante o desenvolvimento de um projeto.
“A IA não precisa ocupar o lugar do arquiteto para transformar a arquitetura. Quando uma tecnologia consegue reduzir o tempo gasto em tarefas operacionais, o profissional ganha espaço para experimentar mais, comparar possibilidades e se concentrar nas decisões que realmente definem um projeto”, afirma.
Fundada em 2022, a Redraw foi criada com foco em ferramentas de inteligência artificial voltadas especificamente a profissionais de arquitetura. Segundo a empresa, a plataforma reúne mais de 200 mil usuários cadastrados, cerca de 10 mil assinantes pagos e gera mais de 800 mil imagens por mês.
Em 2026, a startup também venceu o South Summit Brazil na categoria Digital & Tech Solutions.
Na prática, ferramentas desse tipo permitem testar materiais, layouts, acabamentos e diferentes configurações de ambiente em menos tempo. A proposta não é substituir o arquiteto, mas ampliar a capacidade de comparação entre alternativas antes da tomada de decisão.
Com isso, também muda a forma de interação com a tecnologia. O profissional passa a assumir uma função mais ativa na formulação de comandos, seleção de referências e avaliação dos resultados gerados pela IA.
Esse novo papel inclui a criação de prompts mais precisos, capazes de traduzir necessidades de espaço, função, estética e contexto em instruções para as ferramentas digitais.
Para Kuhn, o ganho mais importante está justamente na possibilidade de devolver tempo ao profissional.
“O objetivo não é fazer com que a IA projete sozinha, mas devolver tempo para que o arquiteto possa projetar melhor. Quando a ferramenta assume parte do trabalho repetitivo, o profissional consegue voltar sua atenção para o projeto, para o contexto e para as necessidades de quem vai ocupar aquele espaço”, diz.
No debate sobre habitação, a tecnologia entra como uma ferramenta adicional para aumentar eficiência e ampliar possibilidades. O desafio, porém, continua sendo transformar essas soluções em projetos viáveis, acessíveis e adequados às necessidades reais da população.
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