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IA deve reduzir empregos após fase inicial de alta, diz ex-Meta e Google DeepMind

Rodrigo Dias
31 de agosto de 2026
Mat Velloso afirma que tecnologia ainda amplia demanda por profissionais em algumas funções, mas prevê mudança conforme modelos assumam também tarefas de revisão

A inteligência artificial ainda pode estar ampliando a demanda por profissionais em determinadas atividades, mas esse movimento tende a ser temporário. A avaliação é de Mat Velloso, ex-vice-presidente da Meta e do Google DeepMind, que afirmou nesta segunda-feira (31), durante o Macro Day do BTG Pactual, que o avanço dos modelos deverá provocar redução de empregos à medida que a tecnologia passe a executar também funções hoje reservadas aos humanos.

Segundo Velloso, ferramentas de IA já aumentaram significativamente a capacidade de produzir códigos, documentos jurídicos e outros conteúdos. Como os resultados ainda precisam ser revisados por causa de erros e “alucinações”, profissionais que antes trabalhavam diretamente na produção passaram, em muitos casos, a atuar na checagem do material produzido pelas máquinas.

Na avaliação do executivo, essa dinâmica ajuda a explicar por que a adoção da IA ainda não provocou a queda no emprego inicialmente prevista por alguns especialistas. O quadro deve mudar, porém, conforme os próprios modelos se tornem mais eficientes na revisão. “Os empregos vão desaparecer, sim. É o que vai acontecer em seguida”, disse. Velloso afirmou que poderá chegar um momento em que empresas deixarão de exigir uma revisão humana e passarão a considerar indispensável a validação feita pela própria inteligência artificial.

Apesar do alerta, Velloso defendeu que empresas não enxerguem a tecnologia apenas como ferramenta para substituir trabalhadores. Segundo ele, as maiores oportunidades estão em atividades nas quais não há mão de obra suficiente para atender a demanda existente. Áreas como pesquisa científica, saúde, segurança pública, auditoria e fiscalização poderiam obter ganhos maiores do que aqueles proporcionados simplesmente pelo corte de postos de trabalho.

Antes do debate, Velloso fez uma apresentação sobre a corrida global pela inteligência artificial e chamou atenção para a infraestrutura necessária para sustentar a expansão da tecnologia. Ele defendeu que o Brasil trate a disponibilidade de energia e a atração de data centers como questões estratégicas, diante do aumento acelerado da demanda mundial por capacidade computacional.

Após a apresentação, Velloso participou de um painel moderado por Roberto Sallouti, CEO do BTG Pactual. Questionado sobre as oportunidades para o Brasil, o executivo afirmou que energia abundante pode representar uma vantagem competitiva, mas alertou que o país precisa ampliar sua capacidade e criar condições para receber novos investimentos.

No encerramento, Velloso aconselhou empresários e investidores brasileiros a incorporarem inteligência artificial às operações, mas também a identificar vantagens competitivas difíceis de serem reproduzidas pelos modelos, como dados proprietários, distribuição, infraestrutura e operações complexas. “Você vai ter que trabalhar com IA. Não tem como não trabalhar com IA”, concluiu.

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