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Governo estuda cobrar contribuição de empresas para conter pejotização

Da redação
25 de agosto de 2026
Medida em discussão na equipe econômica prevê recolhimento previdenciário adicional para companhias que concentram parcela elevada da força de trabalho como pessoa jurídica

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estuda criar uma contribuição previdenciária para empresas que mantenham uma parcela elevada de seus trabalhadores contratados como pessoa jurídica (PJ). A medida, conforme apurada pela Folha de S.Paulo, faria parte de uma estratégia para combater o que a equipe econômica considera uma pejotização abusiva e reduzir as perdas de arrecadação da Previdência.

Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, a ideia seria diferenciar empresas que recorrem pontualmente a prestadores de serviços daquelas que substituem em larga escala trabalhadores contratados pela CLT por PJs. O ministro citou como exemplo uma companhia com 10% dos profissionais nessa modalidade, situação que poderia refletir uma terceirização normal. Já em uma empresa na qual 80% da força de trabalho seja formada por PJs, o governo considera que poderia haver espaço para uma tributação diferente.

Uma das possibilidades em análise é exigir dessas companhias uma contribuição à Previdência para compensar parte da perda de arrecadação provocada pela substituição de empregos formais. O objetivo, segundo Durigan, também seria ampliar a proteção social de profissionais que, embora contratados como empresas, na prática mantenham características de uma relação tradicional de emprego. A proposta ainda está em discussão e precisaria ser encaminhada ao Congresso.

A contratação de trabalhadores como PJ não é, por si só, ilegal. A discussão se concentra nos casos em que esse modelo é utilizado para substituir vínculos que poderiam ser caracterizados como empregatícios. O tema também está no Supremo Tribunal Federal (STF), que ainda deverá definir parâmetros sobre a legalidade da contratação de pessoas jurídicas em relações de trabalho.

A iniciativa ganha peso diante da preocupação do governo com as contas da Previdência. Levantamento citado pela Folha mostra que benefícios fiscais e sonegação corroem parcela significativa da arrecadação previdenciária, enquanto a diferença de tributação entre o emprego formal e outras formas de contratação funciona como incentivo à pejotização. A eventual cobrança sobre empresas com grande concentração de PJs seria, portanto, uma tentativa de reduzir essa diferença sem acabar com a contratação legítima de prestadores de serviços.

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