Resultado de janeiro a outubro é o pior da série histórica iniciada em 2012; governo critica metodologia do Banco Central
As estatais federais acumularam um déficit de R$ 6,4 bilhões de janeiro a outubro de 2025, o pior resultado desde o início da série histórica do Banco Central, em 2012. Os dados constam no Relatório de Estatísticas Fiscais divulgado nesta sexta-feira (28), que monitora a necessidade de financiamento das empresas públicas da União.
O saldo negativo aumentou 42,7% em relação ao mesmo período de 2024, quando o déficit somou R$ 4,5 bilhões. O contraste é ainda maior com 2022, ano em que as estatais federais registraram superávit de R$ 5,3 bilhões no acumulado até outubro. No recorte dos últimos 12 meses, o déficit chega a R$ 8,6 bilhões.
Situação nos Estados
As estatais estaduais também fecharam o período no vermelho: déficit de R$ 694 milhões de janeiro a outubro e perda de R$ 1,4 bilhão em 12 meses.
O indicador do Banco Central considera a necessidade de financiamento — métrica que mede se as empresas públicas aliviam ou pressionam as contas públicas. Quando há déficit, o Tesouro Nacional pode ser acionado para cobrir a lacuna por meio de dívida ou receitas tributárias.
A metodologia, porém, é alvo de críticas do Ministério da Gestão e Inovação (MGI), responsável pela coordenação das estatais. Segundo a pasta, os números do BC não refletem a “saúde financeira real” das companhias, por não detalharem receitas, custos, ativos, passivos e lucros. Ainda assim, o indicador é considerado relevante como termômetro fiscal.
Correios seguem como caso mais crítico
Entre os exemplos mais preocupantes está o dos Correios, cuja situação vem sendo tratada como “grave” pelo Ministério da Fazenda. O ministro Fernando Haddad descarta privatização, mas reconhece a necessidade de um plano robusto de recuperação.
Os dados recentes reforçam a deterioração da empresa: no primeiro semestre de 2025, o prejuízo acumulado já superava o resultado negativo de todo o ano anterior, quando os Correios fecharam 2024 com perdas de R$ 597 milhões.
