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Envelhecimento populacional pressiona crescimento e desafia governos, aponta Moody’s

Da redação
30 de setembro de 2026
Segundo a agência, queda da fecundidade reduz a oferta de trabalhadores e o número de consumidores, aumentando dependência de produtividade para sustentar expansão das economias

O envelhecimento da população deve transformar a dinâmica da economia global nas próximas décadas, ao reduzir o ritmo de crescimento da força de trabalho e aumentar a pressão sobre as contas públicas e os sistemas de saúde. Com menos trabalhadores e famílias, países também tendem a enfrentar mudanças na demanda por bens e serviços, tornando ganhos de produtividade cada vez mais importantes para sustentar o crescimento econômico e a qualidade de crédito, segundo relatório da Moody’s.

A mudança demográfica já alcança grande parte do mundo. Mais de 70% da população mundial vive atualmente em países com taxas de fecundidade iguais ou inferiores ao nível de reposição. Na América Latina, os índices já se aproximam dos registrados em economias mais envelhecidas, como as da Europa e do Japão, enquanto países do Leste Asiático apresentam algumas das menores taxas já observadas. A Moody’s destaca que pequenas diferenças na fecundidade podem produzir efeitos expressivos no longo prazo: uma taxa de 1 filho por mulher, por exemplo, tende a resultar em uma geração com cerca de metade do tamanho da anterior.

O envelhecimento também avança rapidamente em mercados emergentes. Na China, a parcela da população com 65 anos ou mais dobrou de 7% para 14% em aproximadamente duas décadas, transição que levou várias décadas para ocorrer na Europa. Brasil, Tailândia e Turquia seguem trajetórias semelhantes e terão de enfrentar os custos econômicos e fiscais do envelhecimento em níveis de renda inferiores aos registrados pelas economias avançadas quando passaram pelo mesmo processo.

As consequências, porém, começam antes de uma eventual redução da população total. Atualmente, as economias do G7 têm cerca de três pessoas em idade ativa para cada indivíduo com mais de 65 anos. A projeção é de que essa relação caia para aproximadamente duas pessoas até 2050. Nesse cenário, a desaceleração da força de trabalho tende a ocorrer simultaneamente ao aumento das despesas relacionadas à previdência e à saúde.

Segundo a Moody’s, políticas públicas e avanços tecnológicos podem ajudar os países a se adaptar ao novo cenário, mas não devem reverter as tendências demográficas. A capacidade de ampliar a participação no mercado de trabalho, elevar a produtividade e promover reformas institucionais ganhará, assim, peso crescente na trajetória de crescimento econômico e nas condições de crédito dos países.

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