Relatório do BTG Pactual destaca que o mercado brasileiro pode viver um ciclo de queda da taxa Selic mais intenso do que o atualmente projetado. Segundo o banco, um cenário de melhora fiscal e redução das expectativas de inflação abriria espaço para cortes mais acelerados dos juros ao longo dos próximos meses, com impactos relevantes sobre empresas e setores da economia.
De acordo com o estudo, a Selic poderia encerrar 2027 entre 10% e 11%, abaixo da expectativa atual de mercado, que aponta para aproximadamente 12%. O banco avalia que juros menores tendem a impulsionar a atividade econômica, melhorar as condições de crédito e favorecer a expansão dos lucros corporativos.
Entre os segmentos que mais poderiam se beneficiar estão varejo, construção civil de média e alta renda, infraestrutura, saneamento, energia elétrica, locação de veículos e empresas com maior nível de endividamento. A explicação é que essas companhias costumam ter uma parcela relevante de suas dívidas atrelada ao CDI ou à própria Selic, reduzindo despesas financeiras à medida que os juros caem.
O relatório também mostra que o varejo aparece como um dos setores mais sensíveis ao cenário de redução das taxas de juros. Além do alívio financeiro, empresas do segmento tendem a ser beneficiadas por um ambiente de maior oferta de crédito e fortalecimento do consumo.
Na construção civil, o destaque fica para incorporadoras voltadas aos segmentos de média e alta renda, uma vez que a redução dos custos de financiamento costuma estimular a demanda por imóveis de maior valor. Já no setor de utilidades públicas, empresas de distribuição de energia e saneamento aparecem entre as mais favorecidas devido ao perfil de longo prazo de seus investimentos e estruturas de capital.
Entre as companhias avaliadas pelo BTG, nomes como Viveo, Minerva, Hapvida, Magazine Luiza, Cosan, Energisa, Equatorial e Ecorodovias estão entre aqueles que apresentam maior sensibilidade positiva à redução da Selic, considerando apenas o efeito financeiro direto sobre seus resultados.
O banco também lembra que nem todas as empresas tendem a ganhar em um ambiente de juros mais baixos. Instituições financeiras, seguradoras e companhias com elevada posição de caixa podem registrar menor contribuição das receitas financeiras, reduzindo parte dos benefícios observados em outros setores.
Na avaliação do BTG Pactual, a trajetória dos juros seguirá sendo um dos principais fatores para o desempenho dos ativos brasileiros nos próximos anos, especialmente em setores mais dependentes de crédito e financiamento.
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