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Commodities, energia e falta de insumos estouraram inflação, diz Roberto Campos

Obrigado por lei a justificar publicamente as razões que permitiram que a inflação oficial do Brasil em 2021 atingisse 10,06%, conforme Índice dos Preços ao Consumidor – Amplo (IPCA) divulgado nsta terça-feira(11), superando de muito o teto de 5,25% estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e o procurador-geral do BC, Cristiano Cozer, lançaram uma carta aberta nesta tarde. Endereçado ao presidente do CMN, o ministro da Economia, Paulo Guedes, o documento enumera fatores externos – “fenômenos globais” – e internos.

Entre os globais, estão:

  • Elevação dos preços de commodities (agrícolas, minerais e energéticas), que depois da queda no início da pandemia, entraram em uma elevação a partir de julho de 2020 sem voltar a cair;
  • O petróleo foi o grande vilão, em especial o preço do tipo Brent, usado na medição do IPCA;
  • O isolamento provocou sgotamento de estoques nas cadeias produtivas, afetando a entrega de semicondutores, com aumento dos prazos fretes mais elevados por causa dos combustíveis.

Fatores locais:

  • Preço da energia impactado pela crise hídrica a partir de setembro;
  • Impacto da pandemia sobre a atividade econômica.

Campos Neto diz que o CMN acena com alta dos juros, por ter considerado “apropriado que o ciclo de aperto monetário avance significativamente em território contracionista”. Seria uma tentativa de segurar os preços. Em 2021, a taxa Selic ficou em 9,25% anuais e pode subir ainda mais.

Em 2022

Com o centro da meta de inflação de ​3,50% para este ano, com piso de ​​2% e teto 5%, a expctativa inicial é que a inflação supere os limites previstos. O BC estima, por enquanto, uma inflação de 4,7%, quase no limite.

Combustíveis

No ano passado, escreveu Campos Neto, a inflação importada foi o principal fator que impulsionou a inflação. O destaque foi a elevação do preço internacional do petróleo, que encareceu os combustíveis.

“O principal fator para o desvio de 6,31 p.p. da inflação em relação à meta adveio da inflação importada, com contribuição de 4,38 p.p., cerca de 69% do desvio. Abrindo esse termo [decompondo a inflação importada], destacam-se as contribuições de 2,95 p.p. do preço do petróleo, 0,71 p.p. das commodities em geral e 0,44 p.p. da taxa de câmbio”, destacou a carta.

Depois da inflação importada, a inércia inflacionária foi o segundo fator que pressionou a inflação no ano passado, com impacto de 1,21 ponto acima do teto da meta. A inércia representa a indexação de contratos e de preços que são corrigidos pela inflação do ano anterior. Desde o segundo semestre de 2020, a inflação está em alta, afetando a inflação de 2021.

Energia

Por fim, a carta do BC atribuiu a “demais fatores” impacto de 1,02 ponto acima do teto da meta. Dentro deste total, o destaque foi a bandeira de escassez hídrica (cobrada desde setembro do ano passado), que encareceu a conta de luz e teve impacto de 0,67 ponto. Essa bandeira vigorará, a princípio, até abril deste ano.

“O fraco regime de chuvas levou ao acionamento de termoelétricas e de outras fontes de energia de custo mais elevado durante a segunda metade de 2021, resultando em aumento expressivo das tarifas de energia elétrica”, ressaltou o BC. “Em setembro, foi criada e acionada a bandeira escassez hídrica, o que causou aumento de 49,6% sobre a bandeira anterior e de 5,8% sobre a tarifa de energia elétrica ante o mês anterior.”

Na última vez em que o presidente do BC justificou o descumprimento da meta de inflação foi em 2017. Naquele ano, porém, a inflação encerrou abaixo do piso da meta, em 2,95%, contra um limite mínimo de 3% para o IPCA. Na ocasião, o Banco Central era presidido por Ilan Goldfajn, com Henrique Meirelles como ministro da Fazenda.

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