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Clima Econômico na América Latina recua 11,7 pontos

Da redação
24 de maio de 2022
Indicador da Situação Atual (ISA) caiu 3,5 pontos. Índice se mantém na zona desfavorável desde o segundo trimestre de 2012

O Índice de Clima Econômico da América Latina (ICE) recuou 11,7 pontos entre o primeiro e o segundo trimestre de 2022. A economia da região está melhor do que no auge da pandemia sem vacinas, mas não conseguiu retornar aos níveis de 2019. No mesmo período em 2020, o ICE caiu 46,1 pontos, quando a pandemia passou a ser a questão prioritária na agenda de todos os países, mas em seguida iniciou uma trajetória de alta, embora ainda na zona desfavorável do ciclo econômico. O levantamento feito pela Fundação Getúlio Vargas Instituto Brasileiro de Economia da (FGV/IBRE) foi divulgado nesta terça-feira (24).

No terceiro trimestre de 2021, o índice chegou a atingir o nível neutro de 100 pontos, mas voltou a registrar quedas nos trimestres seguintes, sugerindo que o resultado não é explicado apenas pelos impactos da pandemia. A queda do ICE no segundo trimestre de 2022 foi influenciada pelo resultado do Indicador de Expectativas (IE), que registra uma diferença de 21,4 pontos em relação ao trimestre anterior. O IE vinha numa trajetória de queda desde o segundo trimestre de 2021 e, no segundo período deste ano, passou para a zona desfavorável.

No caso do Indicador da Situação Atual (ISA), a queda foi de 3,5 pontos. O índice se mantém na zona desfavorável desde o segundo trimestre de 2012. Os indicadores de 2022 mostram queda na comparação com 2019 – sendo a maior diferença no IE (-22 pontos) – e melhora em relação a 2020. Na comparação com 2021, há melhora  das condições correntes refletidas pelo ISA mas piora expressiva das expectativas captadas pelo IE, que recuou 68,8 pontos no período, sugerindo um cenário de incertezas associado a um possível impacto da Guerra na Ucrânia, além de fatores domésticos específicos de cada país. 

Países

O ICE subiu em apenas dois países neste período: Uruguai (14,2 pontos) e Brasil (2,1 pontos). A melhora do Brasil está associada a uma melhor avaliação da situação atual, uma vez que o IE recuou. Todos os países, exceto o Uruguai, registraram clima econômico desfavorável. No ranking do ICE do segundo trimestre, o Brasil está em 9º lugar.  

PIB

O crescimento do PIB para 2022 foi revisto para baixo no México, Chile e Paraguai, com diferenças de 0,6 ponto percentual, 0,9 ponto percentual e 2,4 pontos percentuais, respectivamente, o que é compatível com a piora do clima econômico.  A revisão para cima do PIB no Uruguai (+0,8 ponto percentual) e do Brasil (+0,1 ponto percentual) coincide com a melhora do ICE entre o primeiro e o segundo trimestre de 2022. Nos outros casos, o clima econômico piorou entre os dois primeiros trimestres do ano. Observa-se, porém, que as revisões para cima não chegam a um ponto percentual. Após o Uruguai, a maior variação foi na Colômbia de 0,4 ponto percentual.

Problemas

O principal problema da América Latina é a falta de inovação e, em todos os países, a pontuação supera os 50 pontos. O terceiro é a corrupção, exceto para o Chile (33,3 pontos) e o Uruguai (0 ponto). Infraestrutura inadequada é o quarto principal problema e, em todos os países, a pontuação foi acima de 50 pontos. O quinto problema é o aumento na desigualdade de renda, exceto para o Chile e o Paraguai, com pontuações abaixo de 50 pontos. O sexto problema é a falta de competitividade internacional, sendo o Chile a única exceção. Falta de mão de obra qualificada que está associado ao nível de escolaridade da população é o nono problema da região, exceto na Argentina. O décimo entrave ao crescimento é falta de capital, exceto para Brasil (44,4 pontos), Paraguai (40 pontos), Peru (45,5 pontos) e Uruguai (16,7 pontos).

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