A estação das cheias 2021/2022 começou em outubro, garantindo mais dois meses para o sistema elétrico nacional
O aumento dos níveis de água nos principais reservatórios hidrelétricos do país deve reduzir os custos operacionais do sistema elétrico este ano, mesmo que o conflito entre a Rússia e a Ucrânia possa aumentar os preços de insumos de energia térmica, como gás natural e diesel, informou o diretor-gerente do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Luiz Carlos Ciocchi. Espera-se que os bolsos dos consumidores diminuam à medida que o envio de calor for reduzido e o sinal de “escassez de água” das tarifas desaparecer, completou ele.
O ONS prevê que os lagos do subsistema Sudeste/Centro-Oeste, onde estão localizados os principais reservatórios hidrelétricos do país, fecharão com 60% da capacidade em março, o melhor nível desde 2016 e bem acima dos níveis do ano passado. Risco de hidrologia adversa e racionamento.
Embora o quadro seja mais otimista, o setor elétrico brasileiro também está preocupado com a guerra entre Rússia e Ucrânia, pois o conflito pode afetar o custo dos insumos de energia termelétrica, como diesel e gás natural.
O gás natural liquefeito (GNL) experimentou um “boom” nos mercados internacionais no último ano, afetando os preços das atividades que utilizam o produto como matéria-prima. “Se você (tem) um grande produtor de petróleo e gás envolvido nessa (guerra), a demanda vai mudar e prejudicar. Sejam derivados ou importadores de GNL, é inevitável que os preços se reflitam no Brasil”, disse Ciocchi. “Isso deve afetar o CVU (custo de geração de energia elétrica) das usinas de GNL e termelétricas da Petrobras”, ressaltou.
Brasil
A boa notícia, segundo ele, é que, até 2022, o sistema elétrico brasileiro não deverá mais precisar de usinas termelétricas de alto custo para funcionar. Hoje, o ONS conta com o despacho de usinas com CVUs em níveis “muito razoáveis”, entre 350 e 400 reais por megawatt-hora (MWh). O Brasil é um importador líquido de gás natural, e o mercado espera que a demanda nacional pelo produto continue superando a oferta doméstica até pelo menos 2035 – mesmo levando em consideração o crescimento esperado da produção do pré-sal.
