Ao estacionarem no maior patamar desde 2007 nesta semana, taxa das Treasuries de 30 anos adiciona risco de liquidez ao mercado e favorece a alta da moeda americana para o ING Bank
Quando perguntados sobre o que deve acontecer com o dólar, economistas geralmente devolvem uma mesma resposta: prever o dólar é um exercício de humildade. Dito isso, a balança de riscos envolvendo a volatilidade do câmbio são, hoje, mais favoráveis a uma alta do que uma baixa. E o peso da balança mudou nesta última semana, com o salto da taxa paga por títulos da renda fixa americana, as Treasuries.
As Treasuries com vencimento em 30 anos chegaram a pagar 5,3% no vencimento na terça-feira, maior retorno para o ativo desde 2007. Segundo o ING Bank, da Holanda, o aumento de taxas prometidas a investidores das notas soberanas emitidas pelo departamento de Tesouro dos Estados Unidos para o longo prazo tende a pressionar moedas ao redor do mundo, tanto de economias mais desenvolvidas quanto de emergentes, como no caso do Brasil.
Em relatório, os analistas do banco neerlandês liderados por Chris Tumer, gerente de mercados globais do ING, apontam que o DXY, cesta que compara o dólar contra moedas como o euro, iene e a libra britânica, demonstrou resistência de baixa nesta semana.
O índice rumava à queda para 99 pontos, mas fechou na terça em 99,44 — quando o Tesouro americano anunciou a recompra de Treasuries de 30 anos. As notas são consideradas o porto-seguro do investidor no meundo, e a incerteza sobre o prêmio de risco embutido nos títulos levaram o dólar a reagir a um ciclo de baixa, aponta o ING Bank. Além disso, a dívida americana saltou para US$ 40 trilhões nesta semana, sinal de apuros para a maior economia do mundo.
O ING Bank também aponta que o aumento nos preços de commodities energéticas nesta semana, com o anúncio de novas sanções americanas contra o Irã, provoca oscilação no dólar. O barril de petróleo do tipo Brent, negociado na bolsa intercontinental de commodities (ICE, na sigla em inglês), saltou 2% nesta semana, encerrando acima de US$ 94 na sexta.
Se as taxas das Treasuries e preços de energia estenderem a sequência de altas, de acordo com o ING Bank, o banco central dos EUA, o Fed (Federal Reserve), uma possível alta de juros pode voltar ao radar do Federal Reserve (Fed).
E o Brasil com isso? Os analistas do banco neerlandês explicam que, as Treasuries de longo prazo tiveram aumento de taxa não apenas pelo novo patamar ultrapassado pela dívida americana, mas também porque investidores vêm enfileirando ordens de venda do título. Isso, por sua vez, é ruim especialmente para moedas de países emergentes, como o real. Se as taxas permanecerem altas, o risco de mercado paira sobre investimentos mais arriscados, caso dos emergentes.
Turner aponta que o índice de preços ao produtor dos EUA (PPI) ganhou importância na previsão dos próximos passos do Fed. Os dados de agosto serão divulgados em 10 de setembro.
