A combinação entre famílias menos endividadas, maior confiança na política fiscal e expectativas de inflação alinhadas à meta pode abrir espaço para uma queda significativa da taxa Selic nos próximos anos. Essa é a principal conclusão de um relatório divulgado pelo BTG Pactual, que simula diferentes cenários para a economia brasileira até 2028.
Segundo o banco, o processo de desalavancagem das famílias tende a reduzir o consumo e desacelerar a atividade econômica. Em um ambiente como esse, haveria espaço para uma política monetária mais estimulativa, com juros abaixo das trajetórias atualmente projetadas pelo mercado.
O cenário mais favorável desenhado pelo BTG Pactual considera não apenas o enfraquecimento da demanda, mas também um ambiente de maior credibilidade fiscal, inflação convergindo para a meta de 3% e redução dos prêmios de risco do país. Nessa hipótese, a Selic poderia cair para cerca de 6,3% no início de 2028, nível significativamente inferior às projeções atuais.
O relatório destaca que a confiança dos agentes econômicos na condução das contas públicas é um elemento fundamental para essa trajetória. A avaliação é que expectativas de inflação mais bem ancoradas e um ambiente de menor percepção de risco ampliam a capacidade do Banco Central de reduzir os juros sem comprometer a estabilidade dos preços.
Na direção oposta, o estudo mostra que uma piora do cenário fiscal pode limitar ou até eliminar esse espaço para cortes. Nas simulações do banco, uma desvalorização cambial de 10%, em um contexto sem consolidação fiscal, seria suficiente para manter a Selic próxima das projeções do mercado, mesmo diante de uma economia mais fraca.
O BTG Pactual ressalta que os cenários apresentados têm como objetivo medir riscos e possibilidades em torno do cenário-base da economia, e não representam novas projeções oficiais do banco. Ainda assim, o relatório reforça a importância da combinação entre atividade econômica, inflação, câmbio e política fiscal para definir o rumo dos juros brasileiros nos próximos anos.
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