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Brasil é o 13º país com mais empresas americanas

Da redação
21 de julho de 2025
Levantamento da Moody’s revela 4.686 companhias dos EUA instaladas no país, superando o México e enfraquecendo tese de dificuldades operacionais usada por Trump para justificar tarifaço

O Brasil é o 13º país com mais empresas americanas no mundo, segundo levantamento exclusivo da Moody’s Analytics. São 4.686 subsidiárias com 25% ou mais de capital dos EUA, número que supera o do México, parceiro histórico dos americanos, com 4.233 companhias. Os dados colocam em xeque a justificativa apresentada pelo ex-presidente Donald Trump para impor tarifas de até 50% sobre importações brasileiras, sob o argumento de “dificuldades operacionais” enfrentadas por empresas norte-americanas no país.

O ranking é liderado pelo Reino Unido (38,6 mil empresas) e Canadá (22,6 mil), seguido por países como Alemanha, Austrália e China. O Brasil aparece ao lado de potências econômicas, como França e Noruega, demonstrando sua relevância como destino de investimentos, mesmo com burocracias e entraves regulatórios reconhecidos por empresários locais.

Apesar disso, a Casa Branca sob Trump reativou uma investigação comercial dentro da seção 301 (mecanismo legal usado em disputas anteriores contra China e União Europeia) com foco em obstáculos regulatórios, ambientais e até comércio informal, como o da rua 25 de Março, em São Paulo. O movimento é visto por analistas como mais político que econômico, mirando o alinhamento do Brasil ao bloco dos BRICS e a relação com a China.

A retaliação tarifária, no entanto, é também interpretada como resposta à situação do ex-presidente Jair Bolsonaro, aliado ideológico de Trump, que enfrenta restrições judiciais e cuja defesa tem sido articulada por lideranças da direita brasileira. Um dos principais nomes nesse esforço é o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que tenta mediar com o empresariado a crise provocada pelas tarifas, ao mesmo tempo em que busca se distanciar do desgaste político sem romper com Bolsonaro.

Segundo o Escritório de Análise Econômica (BEA), do governo dos EUA, o número de empresas americanas com receita superior a US$ 25 milhões instaladas no Brasil cresceu de 638, em 2009, para 1.044 em 2022, um avanço contínuo, apesar das crises políticas e econômicas nacionais. Esse apetite reforça a posição brasileira como mercado estratégico para os Estados Unidos, e enfraquece o argumento de que há “discriminação” contra empresas americanas no país.

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