Relatório aponta perda de fôlego em indústria, serviços e consumo das famílias; para 2027, BC prevê crescimento de 1,4%
O Banco Central reduziu de 2% para 1,8% a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2026. A revisão consta do Relatório de Política Monetária (RPM) divulgado nesta quinta-feira (24). Para 2027, a instituição estima avanço de 1,4%.
A mudança reflete sinais de desaceleração mais disseminada da atividade econômica. Embora o PIB do segundo trimestre tenha crescido 0,5%, o BC destacou que os resultados mais fortes vieram de setores menos sensíveis ao ciclo, como agropecuária e indústria extrativa.
Já segmentos mais dependentes de crédito, renda e consumo mostraram desempenho mais fraco.
“Os setores mais cíclicos da oferta e o consumo das famílias, por sua vez, surpreenderam em sentido oposto”, afirmou o Banco Central no relatório.
Os primeiros indicadores do terceiro trimestre também apontam para uma atividade mais fraca do que o previsto anteriormente.
Juros altos limitam crescimento
Para 2027, o BC projeta uma expansão moderada, influenciada pela manutenção de uma política monetária ainda contracionista, pelo cenário externo incerto e pela redução dos estímulos fiscal e de crédito.
A instituição também espera uma contribuição menor da agropecuária e da indústria extrativa no próximo ano.
O movimento ocorre em meio à desaceleração já apontada pelo Comitê de Política Monetária. Na comunicação mais recente, o Copom afirmou que a atividade doméstica mantém trajetória de moderação, com perda de força especialmente nos componentes mais sensíveis ao ciclo econômico.
A Selic está atualmente em 13,75% ao ano.
O governo também revisou para baixo sua estimativa de crescimento para 2026 nesta semana, de 2,3% para 2%.
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