Brasileiros querem aliviar dependências e exportar mais, indianos precisam de minerais críticos que não venham da China
Até meados da década de 2030 a Índia pode se tornar a segunda ou terceira economia global, com o vasto mercado de 1,56 bilhão de habitantes – o país mais populoso. Hoje é a quarta economia, com PIB previsto para 2026 de US$ 4,04 trilhões. Nenhum governo estrangeiro lúcido deveria ignorá-los se quiser manter suas trocas comerciais saudáveis.
Daí o potencial dos acordos prévios assinados entre o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, e o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, em Nova Délhi, neste sábado (21). O objetivo será expandir a cooperação em minerais críticos, incluindo exploração, beneficiamento, exportação e trocas tecnológicas para emprego de terras raras, essenciais para veículos elétricos, painéis solares, smartphones, baterias e motores de jatos.
Como o Brasil possui a segunda maior reserva mapeada desses minérios, seria essencial à Índia uma aproximação para sair da dependência da China, dono das maiores reservas e capacidade de processamento. Para a Índia, o problema é a relação tensa com a China por causa de conflitos fronteiriços e apoio militar ao vizinho e inimigo histórico Paquistão.
Para países tão grandes, a balança comercial ainda é tímida, apenas US$ 15 bilhões em 2025. O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi informou que o acordo é “um grande passo” para os dois países. Ameta de elevar o comércio bilateral a US$ 20 bilhões até 2030.
“O acordo assinado sobre minerais críticos e terras raras é um grande passo em direção a construir cadeias de suprimento resilientes”, disse Modi a jornalistas.
Já o Brasil está de olho em oportunidades a fim de reduzir parte de suas deficiências e dependências externas.
“É notável a evolução indiana em setores de ponta, como tecnologia da informação, inteligência artificial, biotecnologia e exploração especial. Isso cria muitas oportunidades de cooperação com o Brasil e traduz nosso compromisso com uma agenda que coloca tecnologia a serviço do desenvolvimento inclusivo”
Por isso há muito mais em jogo do que as terras raras, por si fundamentais para ambas economias.
O que mais está um negociação
- Parceria Digital para o Futuro;
- Criação de uma linha de montagem na Adani para jatos regionais de passageiros E175, da Embraer;
- Cooperação bilateral para pesquisa científica e industrial e acordos de propriedade industrial;
- Acordos entre as agências de saúde de ambos os países, o que facilitaria parcerias na produção de insumos farmacêuticos, uma deficiência brasileira que ficou clara na pandemia;
- Parcerias em telecomunicações;
- Exportações entre pequenas e médias empresas;
- Suprimentos de aço;
- Uso de certificados eletrônicos de origem para facilitar negociações bilaterais.
