Veja quem fica isento e como ficam as alíquotas se as novas regras forem aprovadas
A maior mudança na cobrança do Imposto de Renda (IR) em décadas está a caminho e pode colocar mais dinheiro no bolso de milhões de brasileiros. A Câmara dos Deputados aprovou um projeto que amplia a faixa de isenção para quem ganha até R$ 5.000 por mês e reduz as alíquotas para rendimentos de até R$ 7.350. A proposta segue para o Senado e, se aprovada, começa a valer em 2026.
Quem fica isento
Hoje, apenas quem recebe até R$ 3.036 mensais não paga Imposto de Renda. Com a nova regra, a isenção sobe para R$ 5.000, beneficiando cerca de 16 milhões de brasileiros.
Na prática, isso significa, por exemplo, que uma professora que ganha o piso de R$ 4.867,77 deixará de ter R$ 312,89 descontados mensalmente.
Descontos também para quem ganha até R$ 7.350
Mesmo quem ultrapassar a nova faixa de isenção pagará menos imposto. O desconto será aplicado de forma escalonada até os R$ 7.350.
Veja exemplos de como a cobrança vai mudar:
- R$ 5.500/mês → de R$ 436,79 para R$ 190,47
- R$ 6.250/mês → de R$ 643,04 para R$ 496,48
- R$ 7.200/mês → de R$ 904,29 para R$ 884,31
Acima de R$ 7.350, nada muda: continuam valendo as alíquotas atuais de 7,5% a 27,5%.
E quem ganha mais?
Para bancar a renúncia fiscal estimada em R$ 25,8 bilhões, o governo vai taxar a alta renda. Contribuintes que recebem acima de R$ 50 mil por mês (R$ 600 mil por ano) terão de pagar um imposto mínimo progressivo de até 10%, incluindo lucros e dividendos — que hoje são isentos.
A medida vai atingir cerca de 0,13% dos contribuintes (cerca de 141 mil pessoas), que hoje pagam, em média, apenas 2,5% de IR.
As novas alíquotas seriam assim:
- Até R$ 600 mil/ano – Sem cobrança adicional
- R$ 750 mil/ano – 2,5% (R$ 18.750)
- R$ 900 mil/ano – 5% (R$ 54.000)
- R$ 1,05 milhão/ano – 7,5% (R$ 78.750)
- R$ 1,2 milhão ou mais – 10% (R$ 120.000)
Importante: quem já pagar próximo a esses percentuais terá apenas de complementar a diferença. Ex.: quem paga 8% e se enquadra na alíquota mínima de 10% precisará quitar apenas 2%.
Fim da “brecha” dos dividendos
A proposta também mira profissionais e empresários que reduzem a tributação ao receber a maior parte dos rendimentos como dividendos — que hoje não entram no cálculo do IRPF. Com a mudança, salários, aluguéis e dividendos serão somados na conta final.
Lucros com venda de bens, heranças, poupança, aposentadoria por doença grave e indenizações ficam fora dessa conta.
Próximos passos
O texto aprovado na Câmara ainda será analisado pelo Senado Federal. Se houver mudanças, ele volta para nova votação dos deputados antes de seguir para sanção presidencial.
A expectativa do governo é que a nova tabela comece a valer a partir de 2026. Se confirmada, a mudança beneficiará até 26,6 milhões de pessoas, cerca de 65% dos contribuintes no país.
Em resumo:
- Isenção: até R$ 5.000/mês não paga IR.
- Descontos: entre R$ 5.000 e R$ 7.350, imposto reduzido.
- Acima de R$ 7.350, regra atual continua.
- Alta renda: imposto mínimo de até 10% sobre salários, dividendos e aluguéis.
O recado é simples: se seu salário for de até R$ 5.000, você deve sair da base do Imposto de Renda. Se for um pouco acima disso, vai pagar bem menos. E, se estiver no topo da pirâmide, prepare-se para contribuir um pouco mais.
