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Por que os estrangeiros estão comprando a bolsa brasileira?

Lucas Andrade
4 de abril de 2026
O conflito no Oriente Médio trouxe incertezas, mas investidores avaliam que o Brasil está relativamente menos vulnerável do que outros emergentes

O Ibovespa encerrou março com cinco trimestres consecutivos de valorização, a maior sequência desde 2019. Esse movimento foi impulsionado por um cenário internacional favorável: crescimento global sólido, inflação controlada, cortes de juros pelo Federal Reserve e dólar mais fraco. Esse quadro aumentou o apetite por ativos de risco, especialmente em mercados emergentes. Nesse contexto, os fundos dedicados a ações emergentes captaram US$ 78 bilhões no início de 2026, o melhor começo de ano da história.

Segundo Rodrigo Lopes, estrategista de renda variável Brasil e Mercados Emergentes do Itaú Unibanco, também há fatores domésticos que explicam por que o Brasil se tornou destaque entre os emergentes.

Corte de juros

O Banco Central iniciou a redução da Selic, hoje em 14,75% ao ano. Historicamente, ciclos de queda de juros elevam a rentabilidade do Ibovespa, estimulam a atividade econômica e tornam a renda variável mais atrativa frente à renda fixa.

Múltiplos descontados

A bolsa brasileira voltou a negociar com desconto em relação à média histórica e também frente a outros emergentes, mesmo após revisões positivas de lucros das empresas.

Efeito Petrobras

A alta do petróleo impulsionou as ações da estatal, que subiram cerca de 25% em março, beneficiando diretamente o índice.

Comparação regional

Apesar da recuperação, o Brasil ainda apresenta desempenho inferior ao de alguns pares emergentes desde 2019, o que reforça a percepção de potencial de valorização.

E agora?

O conflito no Oriente Médio trouxe incertezas, mas investidores avaliam que o Brasil está relativamente menos vulnerável do que outros emergentes, já que é exportador relevante de petróleo e se beneficia fiscalmente da alta da commodity.

Ainda assim, uma escalada prolongada poderia pressionar a inflação e limitar o ciclo de cortes de juros.

A avaliação do estrategista do Itaú é que o Brasil combina fundamentos internos favoráveis (juros em queda, valuations atrativos e exposição a commodities) com um cenário externo que privilegia mercados emergentes. Isso explica por que os estrangeiros estão aumentando sua participação na bolsa brasileira.

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