Pesquisa da Mastercard revela que IA e golpes sofisticados mudam hábitos de consumo e preocupam 89% dos brasileiros
Os pagamentos digitais seguem em expansão na América Latina e no Caribe, impulsionados pela maior familiaridade dos consumidores com ferramentas financeiras e pela consolidação do ambiente online. Apesar disso, o temor em relação a fraudes e golpes continua sendo a principal preocupação na região, segundo uma pesquisa da Mastercard sobre percepção de cibersegurança.
O levantamento aponta que 80% dos consumidores latino-americanos dizem sentir-se capazes de se proteger no ambiente digital. Ainda assim, 47% afirmam que fraudes e golpes são a maior frustração ao realizar transações online — um contraste que revela a convivência entre confiança no uso e insegurança sobre a proteção dos dados.
Para Ana Lucia Mangliano, vice-presidente executiva de Serviços da Mastercard para a América Latina e o Caribe, os resultados evidenciam uma realidade dupla: consumidores mais abertos à inovação, mas atentos ao avanço de ameaças cada vez mais sofisticadas.
Brasil: fraude impacta consumo e gera constrangimento
No recorte brasileiro, com 1.006 entrevistados, o estudo indica efeitos diretos da fraude sobre o comportamento e a relação com compras digitais. Cerca de 59% dizem que sentiriam vergonha caso fossem vítimas de um golpe online, e 42% relatam constrangimento em compartilhar o ocorrido com outras pessoas.
O impacto também pesa sobre pequenos negócios: 74% dos consumidores brasileiros afirmam que deixariam de comprar de pequenos varejistas após sofrer uma fraude, passando a priorizar grandes marcas ou redes já conhecidas. Além disso, 63% dizem que abandonariam completamente o varejista onde o incidente aconteceu.
Entre os consumidores da geração Z (18 a 27 anos), o levantamento aponta um paradoxo: apesar de serem os que mais interagiram com tentativas de golpe no último ano (29%), também aparecem como os que menos adotam práticas básicas de segurança, índice que chega a 50%.
IA amplia golpes
O avanço do uso de inteligência artificial em fraudes aparece como um fator relevante de preocupação no país. Segundo a pesquisa, 89% dos entrevistados no Brasil demonstram receio com clonagem de voz aplicada a golpes e 81% avaliam que deepfakes podem representar uma ameaça à segurança nacional no curto prazo.
A demanda por informação também é elevada: 88% dos brasileiros entrevistados afirmam que gostariam de receber treinamento formal sobre como se proteger e reagir a golpes digitais.
Cartões e carteiras digitais cresce, mas privacidade entra no radar
O uso de meios digitais segue forte na região. Cartões de débito (89%) e crédito (84%) continuam liderando, enquanto transferências em tempo real (79%) e carteiras digitais (74%) também ganham espaço.
Ao mesmo tempo, novas preocupações se consolidam. Além das fraudes, 32% dos entrevistados citam a privacidade e o uso de dados pessoais ou financeiros como fonte de inquietação. No panorama regional, 43% destacam ameaças emergentes impulsionadas por IA, como deepfakes e clonagem de voz.
Entre os golpes mais relatados na América Latina, fraudes por telefone ou voz lideram (32%), seguidas por tentativas em redes sociais e ataques de phishing. No Brasil, os casos mais frequentes envolvem compras e varejo (37%), esquemas de investimento ou criptomoedas (30%) e roubo de identidade (31%).
Confiança nos bancos sustenta a digitalização
O levantamento reforça que a confiança institucional é decisiva para manter a adoção do digital. Os bancos são vistos como as instituições mais confiáveis para proteger dinheiro e dados (89%), seguidos por redes de pagamento (82%).
No Brasil, 74% dizem confiar mais nos bancos e 71% nas empresas de cartão de crédito do que em instituições governamentais (54%). Além disso, 64% dos consumidores brasileiros afirmam confiar mais em seus provedores financeiros do que em si mesmos para evitar transações fraudulentas.
Entre os recursos mais valorizados para ampliar a sensação de segurança estão alertas e monitoramento (59%), políticas claras de proteção e reembolso (57%) e métodos de autenticação mais fortes, como biometria e passkeys (53%).
Apesar do cenário de riscos, a pesquisa mostra que o otimismo permanece: mais da metade dos consumidores da região afirma estar animada com pagamentos mais rápidos e simples, enquanto 31% destacam a expectativa de checkouts mais seguros, com uso de biometria e tokenização.
A pesquisa foi realizada pela The Harris Poll entre 8 e 25 de setembro de 2025, com 13.077 consumidores em 15 mercados da América Latina e do Caribe.
