Alta nas taxas de crédito eleva custo do endividamento e acompanha cenário de juros elevados no país
As taxas de juros cobradas dos consumidores voltaram a subir em fevereiro, com destaque para o cartão de crédito rotativo, que segue como uma das modalidades mais caras do mercado. Dados divulgados pelo Banco Central nesta segunda-feira (30) mostram que a taxa média de crédito livre para pessoas físicas avançou 1 ponto percentual no mês e 5,4 pontos em 12 meses, alcançando 62% ao ano.
O principal impacto veio do rotativo do cartão de crédito, cuja taxa subiu 11,4 pontos percentuais no mês, chegando a 435,9% ao ano. Apesar das regras em vigor desde 2024 para limitar os encargos dessa modalidade, os juros seguem elevados, já que as condições são definidas no momento da contratação. Após 30 dias, quando a dívida é parcelada, os juros também permanecem altos, atingindo 200,2% ao ano, após novas altas no período.
No caso das empresas, o movimento foi mais contido. As taxas médias recuaram levemente no mês, mas ainda acumulam alta em 12 meses, com destaque para a redução no custo do capital de giro de curto prazo. Ainda assim, o cenário geral aponta para crédito mais caro, refletindo o ambiente de política monetária restritiva.
Considerando todas as modalidades, a taxa média de juros das concessões chegou a 33% ao ano, avanço de 0,3 ponto percentual no mês. O movimento acompanha a trajetória da taxa básica de juros (Selic), utilizada pelo Banco Central para controlar a inflação, atualmente em patamar elevado.
O encarecimento do crédito também se reflete no aumento da inadimplência, que atingiu 4,3% em fevereiro, e no maior comprometimento da renda das famílias, que chegou a 29,3%. Já o endividamento total ficou em 49,7% da renda acumulada em 12 meses, indicando pressão persistente sobre o orçamento doméstico.
Com isso, o cenário reforça um ciclo ainda desafiador para o consumidor, em que juros elevados, crédito caro e renda comprometida seguem limitando o consumo e ampliando o risco financeiro das famílias brasileiras.
