Relatório do Santander aponta avanço da base de cotistas, maior liquidez e crescimento das captações, enquanto fundos de recebíveis seguem liderando a indústria
O mercado brasileiro de fundos imobiliários (FIIs) segue em trajetória de expansão em 2026, impulsionado pelo aumento da base de investidores e pela valorização dos ativos. Segundo relatório divulgado pelo Santander Brasil, o setor alcançou R$ 201 bilhões em valor de mercado em abril, alta de 14% na comparação anual. Apenas nos quatro primeiros meses do ano, os FIIs atraíram 208 mil novos cotistas, levando o total de investidores para mais de 3,17 milhões.
O banco estima que o segmento deve receber cerca de 400 mil novos investidores ao longo de 2026, encerrando o ano com uma base próxima de 3,4 milhões de pessoas. Em abril, o mercado registrou a entrada de 41 mil novos cotistas, número 273% superior ao observado no mesmo mês de 2025. Para os analistas, o avanço é sustentado tanto pela atuação de plataformas e assessores de investimentos quanto pelo efeito “boca a boca” entre investidores pessoas físicas.
Os fundos de recebíveis imobiliários continuam liderando a indústria em representatividade. De acordo com o levantamento do Santander, os segmentos de recebíveis, logística, shopping centers e fundos híbridos concentram 71% do valor total de mercado dos FIIs. O cenário de juros ainda elevados favorece especialmente os fundos atrelados a crédito imobiliário, que seguem atraindo investidores em busca de renda recorrente.
A liquidez do setor também mostrou fortalecimento. Em abril, o volume médio diário negociado atingiu R$ 488 milhões, avanço de 58% em relação ao mesmo período do ano passado. Pessoas físicas seguem como principais detentoras das cotas, com participação de 74% do estoque total emitido, enquanto investidores institucionais e estrangeiros ampliaram sua relevância nas negociações do mercado secundário.
O relatório mostra ainda que a indústria captou R$ 14,7 bilhões em novos recursos até abril, sendo quase metade direcionada ao segmento de recebíveis imobiliários. No atual cenário macroeconômico, o Santander recomenda uma carteira equilibrada entre FIIs de tijolo e de papel, com alocação de 50% para cada estratégia.
