O Ibovespa fechou em baixa de 0,79% nesta quarta-feira (17), as 157.327 pontos. O dólar subiu 1,09%, cotado a R$ 5,52 no encerramento. Pressionado pelo cenário político para as eleições presidenciais de 2026, o índice nacional não conseguiu fôlego para se sustentar em campo positivo. Na balança dos investidores, o crescimento do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como candidato, o aumento do favoritismo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à reeleição e o enfraquecimento do chamado Trade Tarcísio pesaram nas negociações. O movimento negativo pegou carona com o final do pregão da véspera, com a divulgação da pesquisa que apontava Lula como vencedor das eleições, em todos os cenários. Para o mercado, a opção pelo atual governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), favorece uma alternância de poder, que pode mudar os rumos da política fiscal. Hoje, no entanto, a decisão da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado de rejeitar todas as tentativas de adiar a votação do chamado PL da Dosimetria, foi o gatilho para realimentar a aversão a risco. Isso porque se o projeto de lei que pode reduzir as penas de condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro (aqui incluído o ex-presidente Jair Bolsonaro) não for aprovado, cresce a força da candidatura do senador Flávio Bolsonaro — que perde para Lula no segundo turno, segundo a pesquisa. Além disso, a candidatura pode desidratar a de Tarcísio na corrida pela presidência, dividindo os votos nesse espectro político. O chamado “trade Tarcísio”, tese que vinha sustentando parte do otimismo com ativos domésticos, representa, na visão dos investidores, maior previsibilidade na condução da política econômica. O desempenho do índice nacional só não foi ainda mais agravante porque os dois ativos de maior peso na composição, Vale e Petrobras avançam, impulsionados pela alta dos preços das commodities no mercado internacional.
As maiores altas foram das preferenciais da Recrusul (25,95%) e Onconclinicas (15,71%). As baixas, Direcional Engenharia (-13,35%) e Melnick (-11,82%). Das cinco ações mais negociadas, três apresentaram retração: B3 (-3,5%), preferenciais da Gol (1,17%), Cosan (-3,45%), preferenciais do Bradesco (-1,09%) e preferenciais da Azul (1,25%). O volume negociado foi de R$ 32,97 bilhões.
