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Estresse no trabalho cai, mas falta de prosperidade preocupa

Da redação
17 de outubro de 2025
Relatório global da ADP Research mostra que o BRasil lidera a redução de estresse na América Latina, com queda de de 14% para 8%. O desafio está em transformar bem-estar em crescimento profissional

O mais recente estudo da série People at Work 2025, da ADP Research, revela uma tendência positiva: o estresse crônico no trabalho diminuiu expressivamente no Brasil. O índice caiu de 14% em 2023 para 8% em 2024, o maior recuo da América Latina.

O levantamento indica que o estresse negativo — o chamado distresse, associado à sensação de ameaça e queda de desempenho — vem perdendo força globalmente desde 2021, quando atingia 19%. O resultado mais recente, de 7,5%, marca uma queda contínua e sinaliza um avanço no equilíbrio emocional dos trabalhadores após o fim da pandemia.

Segundo Mary Hayes, diretora de pesquisa de Pessoas e Desempenho da ADP, a relação entre estresse e prosperidade é direta. “Aqueles que relatam estresse negativo diariamente têm muito mais probabilidade de se sentirem sobrecarregados. À medida que essa frequência diminui, a chance de prosperar aumenta”, explica.

O estudo classifica os trabalhadores em três grupos: os que prosperam, os abalados e os sobrecarregados. O equilíbrio entre estresse positivo (eustresse) e negativo (distresse) é o que diferencia esses perfis. O eustresse, ligado à motivação e satisfação, favorece o engajamento, a resiliência e reduz a rotatividade nas empresas.

Sobrecarga ou prosperidade?

Globalmente, 32% dos profissionais que sentem estresse diário afirmam estar sobrecarregados, enquanto apenas 7% se consideram prosperando. Já entre os que vivenciam estresse mínimo, 11% dizem estar sobrecarregados e 34% afirmam prosperar.

Os maiores índices de distresse aparecem na Europa (19%), com destaque para Suécia e República Tcheca. Japão, Tailândia, França e Argentina completam o ranking. No outro extremo, Holanda, Indonésia, Singapura, África do Sul e China figuram entre os países com menores níveis de estresse negativo.

Na China, 40% dos trabalhadores afirmam estar prosperando, o índice mais alto do mundo. Em seguida vêm a América Latina (34%) e a América do Norte (23%).

Singapura registrou o maior salto de prosperidade, passando de 11% para 26%. Já a Coreia do Sul aparece com o menor percentual de trabalhadores prosperando (15%).

O recorte demográfico também mostra diferenças: as mulheres relatam níveis ligeiramente mais altos de estresse (10% contra 8% dos homens). Na América Latina, o grupo mais afetado está entre 40 e 54 anos.

O peso do julgamento

Um dos fatores que mais contribuem para o estresse é a percepção de estar sendo julgado ou monitorado. Entre os entrevistados, 32% disseram sentir-se observados no trabalho, especialmente em ambientes híbridos. Trabalhadores que se sentem julgados têm 3,4 vezes menos probabilidade de prosperar, enquanto os que acreditam ser constantemente monitorados pelos gestores têm 3,3 vezes menos chance.

O Oriente Médio e a África lideram em percepção de julgamento e vigilância, com índices de 36% e 42%, respectivamente. A América Latina apresenta os menores números: 29% dos colaboradores dizem sentir-se julgados.

Para Nela Richardson, economista-chefe da ADP, eliminar o estresse negativo não é suficiente. “A ausência de estresse não garante prosperidade. Relações de confiança, liberdade e flexibilidade também são determinantes”, afirma. “Funcionários sobrecarregados tendem a ser menos produtivos e mais propensos a buscar novas oportunidades, enquanto os que prosperam permanecem engajados.”

Como o estudo foi conduzido

A pesquisa People at Work 2025 integra a Pesquisa Global da Força de Trabalho da ADP Research, realizada desde 2015. O estudo reuniu respostas de quase 38 mil trabalhadores em 34 países de seis continentes, representando diferentes setores, cargos e modelos de trabalho. O objetivo é compreender as percepções dos profissionais sobre o ambiente corporativo e apontar caminhos para melhorar o bem-estar e a produtividade no mundo do trabalho.

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